sábado, 31 de dezembro de 2016

A Associação HHM no Nepal


Como Associação de Solidariedade Social recentemente constituída, marcámos presença no Nepal no início de agosto de 2016. Três amigas e sócias da Humanity Himalayan Mountains, uma das quais pela primeira vez no país. Saliente-se que somos uma associação de parcos recursos financeiros cujas verbas se destinam sobretudo a apoiar a educação de crianças desfavorecidas e, como tal, cada um dos seus membros viaja pelos seus próprios meios.
Começámos por visitar alguns dos locais de interesse do Vale de Kathmandu, todos eles com vestígios bem visíveis dos elevados danos do terremoto de abril de 2015 que teve uma magnitude estimada de 7,9. Aliás, levará ainda muito tempo até que se recuperem todos estes monumentos de grande valor arquitetónico, considerados Património Mundial da UNESCO. Alguns destes edifícios desapareceram completamente como foi o caso da Kasthamandap, um dos mais notáveis pagodes hindus do Nepal que estava situado na Praça Durbar, construído provavelmente antes do séc. XII, e de onde derivou o nome da cidade.
A Patan Durbar Square é outra das três praças no vale de Kathmandu onde se situam antigos palácios reais. Muitos edifícios estão em reconstrução ou amparados por estacas.
Bhaktapur, a terceira das cidades-estados medievais no vale de Kathmandu, era descrita como a mais bem preservada. Tragicamente, o terremoto de 2015 causou aqui uma tremenda devastação, com ruas inteiras de casas destruídas. Apenas alguns dos templos tombaram, mas muitos edifícios tradicionais que sobreviveram ao terremoto já foram declarados inabitáveis e estão a ser derrubados. 
As cicatrizes da catástrofe ainda são claramente visíveis e levará anos para que a cidade recupere totalmente. Será que os deuses, com tantos braços, vão dar uma mãozinha?
Pashupatinath é o templo hindu mais antigo de Kathmandu (século III a.C) e um dos santuários dedicados ao deus Shiva mais reverenciados do mundo. Seguidores mais idosos do Hinduísmo chegam aqui todos os anos para passar os últimos dias das suas vidas e para serem cremados nas margens do sagrado rio Bagmati que mais adiante se junta ao rio Ganges.
Boudhanath é a maior stupa budista do Nepal e o local mais sagrado para os budistas tibetanos neste país. Foi também gravemente afetada pelo sismo. Acendemos então uma velinha pela recuperação de todo este património, desejando que tragédias destas, onde inúmeras vidas foram ceifadas, não se repitam.
Mas Kathmandu não foi só passeio, foi o início da nossa missão, desta vez, no Nepal. A Bindi, criança de 10 anos que, após o fecho do lar em Pokhara, fora viver com a avó adotiva no sul do país, veio ter com a mãe adotiva que vive nos arredores da capital, uma vez que a criança criou rejeição àquele ambiente. Julgando ser o melhor para a miúda, já com dificuldades nos estudos, a mãe colocou-a num internato onde a fomos visitar. 
A Bindi ficou felicíssima com a nossa visita e com todos os "mimos" que lhe levámos, prendas e roupas oferecidas pelos nossos amigos. Percorremos então a sua escola que foi atingida pelo terramoto do ano passado e tem agora algumas aulas a decorrer em tendas. Regularizámos as propinas contando com a ajuda da Patrícia, uma anterior voluntária que apadrinhou esta criança por um ano e, em conversa com o diretor, ficámos também a saber que, uma vez mais, a Bindi teve muita dificuldade em adaptar-se à nova escola, chorando com frequência e revelando um comportamento irregular. 
Pedimos autorização para a Bindi sair connosco e irmos visitar ali perto Swayambunath, o Templo dos Macacos, mais um monumento danificado pelo sismo. A Bindi estava simplesmente radiante. Percebendo que a criança se sente oprimida a viver naquele regime de internato, situação em que só se encontrava ela e mais quatro rapazitos, acabámos por a deixar entregue a uma família amiga da mãe adotiva que vive perto da escola e com quem a miúda logo se pôs à vontade. Dando uma pequena ajuda a esta família de três elementos, mãe e dois filhos, que vivem num só quarto, a Bindi poderá ali ficar temporariamente enquanto o marido da senhora está ausente a trabalhar noutro país. Mas rapidamente teremos que encontrar nova solução para a vida desta miúda...
Quatro dias depois chegámos a Pokhara que se localiza 200 quilómetros a oeste de Kathmandu. A parte mais turística desta cidade fica à beira do lago Fewa e por isso é designada Lakeside.
O ritmo abranda nesta pacata cidade dos lagos que se situa no canto noroeste do Vale de Pokhara, a uma altitude de cerca de 827 metros, e é porta de entrada para caminhadas de montanha na cordilheira do Annapurna.
Três picos de 8,000 metros (Dhaulagiri, Annapurna e Manaslu) podem ser vistos a partir da cidade. O Machhapuchchhre (Fishtail), com uma elevação de 6.993 metros, é o mais próximo da cidade e domina a paisagem em dias limpos.
Uns dias de trekking nas montanhas contemplando paisagens bucólicas e cumes nevados, absorvendo ar puro e tranquilidade, apreciando a vida simples e convivendo com as afáveis gentes locais, recomendam-se ou são mesmo obrigatórios...
E são estas as paisagens retratadas nas pinturas de artistas locais que também usamos como forma de angariação de fundos para as causas da Associação Humanity Himalayan Mountains ao mesmo tempo que pretendemos divulgar a sua arte.
Em Pokhara foi o reencontro com os amigos habituais com quem partilhávamos quase diariamente o dal bhaat (prato típico à base de arroz, lentilhas e refogado de legumes) e, claro, o reencontro também com a Jyoti e as crianças do lar.
Lar este que continua a funcionar a "meio gás", ainda com processo a decorrer em tribunal para que de uma vez por todas se compreenda a sua situação, já que não há nenhum comprovativo do encerramento legal do mesmo, na sequência das ações nocivas de um grupo de espanhóis que acabaram por causar enormes distúrbios na vida das crianças que aqui se encontravam.
Para além deste lar, que acolhe crianças na sua maioria órfãs e oriundas de famílias muito pobres ou disfuncionais e já com percursos de vida atribulados, a Associação HHM apoia outras crianças desfavorecidas que vivem nas aldeias de origem com algum familiar que se responsabiliza por elas. E entretanto os nossos dias já iam bem atarefados com deslocações a estas aldeias e escolas onde se encontram crianças do projeto Humanity Himalayan Mountains. 
Começámos pela aldeia da Shanti, a menina que eu mesma apadrinho, situada no distrito de Parbat, para visitar a sua irmã, a Susma, e a avó com quem ela vive. As miúdas são sobrinhas da Sunita, que trabalha no hotel onde nos alojamos em Pokhara, e que nos acompanhou. Apanhámos dois autocarros para percorrer em 3 horas os cerca de 70Km até a vila mais próxima onde nos abastecemos de bens essenciais para levar à família.
Daqui subimos colina acima por mais uma hora, a pé. Só jipes percorrem estes caminhos mas não em tempo de monção pois nesta altura o rio vai mais cheio e os veículos não podem atravessar o leito que apenas tem ponte pedonal. A Shanti não vinha à terra desde que eu aqui a trouxera nas férias de Dashain, em outubro de 2015. Não tem qualquer memória da mãe e o pai morreu em dezembro do ano passado devido aos seus problemas de alcoolismo, estando a Shanti já no lar de crianças em Pokhara. A Susma, de 9 anos, é o grande suporte da avó que tem muita relutância em deixar a sua aldeia.
Sendo o braço direito da avó, esta miúda está habituada a trabalhar e a carregar pesos à cabeça como logo fez com as compras que fizemos na vila, quando veio ao nosso encontro. Está pouco habituada a mimos e atenções e poucas palavras conhece em inglês.
Obrigada à minha amiga Brenda, uma alemã que conheci em viagem pela Malásia, que a patrocina, assim ajudando esta pequena família. E obrigada a todos os que ofereceram presentes e roupas, em especial a minha amiga Sandra Faria. As duas irmãs, Shanti e Susma, ficaram contentíssimas e lindas!
A deslocação a esta aldeia requer que se passe aqui pelo menos uma noite e assim temos a possibilidade de experimentar a autenticidade da vida local convivendo com estas gentes e partilhando dos seus costumes, bem como das básicas condições em que vivem. Faz-nos equacionar muita coisa relativamente aos luxos da vida ocidental...
Na manhã seguinte levámos a Susma, que se mostrava radiante, à escola pública das imediações que ela frequenta e onde tivemos a oportunidade de assistir à formatura dos alunos que sempre precede o início das aulas. Depois percorremos as despojadas salas de aula e falámos com o diretor a quem oferecemos material escolar para distribuir por alunos e professores. Obrigada a todos os amigos da Ana que participaram na recolha destes artigos.
Depois do almoço na aldeia, preparado pela avó da Susma, pusemo-nos de novo ao caminho deslizando encosta abaixo até à vila mais próxima onde apanhámos o autocarro para regressar a Pokhara.
Dias depois visitámos outra escola numa aldeia de montanha, na zona de Panchase, onde temos três crianças que fazem parte do nosso projeto. De Pokhara demorámos cerca de duas horas de jipe, o único transporte que, nesta altura de monção, consegue aceder à aldeia pois os caminhos estão em mau estado, completamente enlameados pelas fortes chuvadas.
Um dos nossos coordenadores do projeto no Nepal acompanha sempre os visitantes ou voluntários a estes locais mais remotos. Depois percorremos a pé um curto caminho de cabras e chegamos à escola. Esperava-nos a jovem mãe de duas das crianças que ficou viúva este ano quando o seu marido foi apanhado e morto no meio de uma rixa que nada tinha a ver com ele, deixando-a com três filhos para criar, um ainda bebé e os outros com 4 e 6 anos de idade. São estes dois garotos que apoiamos com a ajuda da minha conterrânea Maria Barros que os patrocina juntamente com amigos seus na Suíça.
Na escola fomos recebidos pela diretora e agraciados com lenços Kata e chá. Regularizámos o pagamento das propinas, de que estas escolas dependem para sobreviver, e depois andámos de sala em sala onde decorriam as aulas que funcionam para crianças desde os quatro anos de idade.
A outra criança que também apoiamos é o Nirmal, de 12 anos, cujo pai já faleceu e que vive com os avós na mesma aldeia do Bijan e do Biswas, meia hora a pé da escola. Este miúdo, que frequenta o sexto ano de escolaridade, acabaria por vir a ser apadrinhado pela família da amiga Ana Baptista, presente nesta visita.
Saldámos ainda as contas na mercearia onde a mãe se abastece dos alimentos que não produz no campo e comprámos outros sapatos aos miúdos uma vez que o calçado depressa se vai a percorrer estes caminhos. 
Obrigada aos amigos que doaram roupa, calçado e material escolar para estas crianças. E obrigada aos seus padrinhos e madrinhas por tão bem compreenderem a importância da “Escola para a vida” para as crianças pobres destes países subdesenvolvidos que tanto gosto fazem nos seus estudos! Todos eles são bons alunos e o Biswas é mesmo o melhor aluno da 1ª classe.
Dias depois foi a visita a outra escola de aldeia, em Ghachok. Escola construída pela comunidade e destinada às crianças daquela zona onde a maioria das pessoas são pobres e pertencentes às castas mais baixas. A escola é “particular”, ie, não recebe qualquer ajuda estatal e sobrevive de donativos e fundos angariados em atividades várias pelo que, na maioria do tempo, os professores e o próprio diretor da escola trabalham em regime de voluntariado pois o dinheiro não chega para pagar os salários.
Note-se que, no Nepal, as escolas públicas têm melhores condições estruturais e os docentes recebem salários mais elevados, mas não existem em todas as zonas. Esta escola vem apelando à ajuda do governo que, recentemente, mandou construir um anexo com duas salas de aula. Até agora foi só. Fiz o primeiro donativo a esta escola em 2011 e tudo isso está relatado neste post do meu blog:
Reencontrei-me com o diretor da escola várias vezes em Pokhara em anos subsequentes e regressei agora a esta mesma escola para fazer um donativo em nome individual já que o fundo de que dispomos na nossa recente associação HHM não chega para cobrir todos os casos que neste momento apoiamos. E lamento que não tivesse dado para mais porque é uma escola construída por uma boa causa por pessoas que lutam e dão o seu melhor para proporcionar um futuro mais brilhante a estas crianças. Por sua vez, a Ana Baptista doou material escolar, recolhido entre amigos e familiares seus, destinado a professores e alunos.
A deslocação a estas aldeias não é fácil, o calor é abrasador nesta altura de monção, os caminhos são térreos ou de cascalho, íngremes, estreitos, sinuosos e enlameados, mas a paisagem verde e imponente e o sorriso e a afabilidade das pessoas com que nos cruzamos tudo compensa. Aproveitámos ainda para passar por outros estabelecimentos escolares para ver da possibilidade de criar programas de voluntariado em escolas de aldeia. As crianças prontificam-se sempre a dar-nos as boas-vindas.
Dias depois foi a visita à escola do Manish que fica mais perto, a uns 15km de Pokhara, e com melhores acessos. Trata-se de uma criança que vive com os avós paternos e que apoio já faz seis anos contando com algumas amigas que têm contribuído para ajudar a pagar as suas despesas escolares por um ano. Desta vez agradecemos à Milene Madden, amiga da Patrícia, a contribuição no valor estipulado pela Associação HHM para o apadrinhamento anual de uma criança, ou seja, 320 euros.
O Manish está agora uma torre com 16 anos e frequenta o 10º ano, ano terminal em que é passado um certificado, o SLC. Geralmente este é o objetivo da maioria dos alunos que depois tentam ingressar no mercado de trabalho. À partida, a Associação apoiará as crianças até este nível de ensino cujas despesas já ultrapassam em muito aquele valor. O Manish tem sido um aluno regular mas este ano terminal de liceu não está a ser fácil para ele. A Associação também não tem verbas para recorrer às explicações ministradas em horário extra na escola pelas quais optam a maioria dos alunos. Esperemos que ele dê o seu melhor para obter o dito certificado pois para o ano não mais poderá contar com o nosso apoio.
De novo em Pokhara foi a vez de nos deslocarmos à escola do Khusal para saldar despesas escolares e nos inteirarmos do seu percurso estudantil. O Khusal vive com a mãe, nunca conheceu o pai, veio da aldeia há dois anos e tem sido um bom aluno nesta escola. Para além disso, a diretora acrescentou que ele é muito correto e bem educado. A mãe trabalha imenso e sujeitou-se a viver num quarto com mais três pessoas para proporcionar ao filho a melhor educação possível. Com o nosso apoio ficou um pouco mais aliviada e aluga agora um quarto só para os dois. Não é fácil a vida de uma mulher sozinha com filhos, no Nepal. Obrigada ao meu amigo Ali Greenshields, um inglês que conheci em Portugal e reencontrei no Nepal em 2010, por patrocinar esta criança! 

Tanto a ele como a outras crianças, desde as mais tenras idades, oferecemos material escolar, bem como calçado e roupas que transportámos de Portugal na nossa bagagem. Foi, por exemplo, o caso da Dypshyka, uma menina de oito anos que também vive só com a mãe, costureira, num modesto quarto/casa. As crianças, claro, ficam todas contentes com estes miminhos. Obrigada a todos os que para tal contribuíram!
Até que nos aparece o caso de duas crianças, a Renu, de quatro anos de idade, e o Rajendra Nepali, de onze anos, respetivamente a filha e o irmão da empregada do albergue em que estávamos hospedadas, a que não pudemos ficar indiferentes e a que procurámos dar rápida solução.
As crianças viviam na aldeia supostamente ao cuidado dos pais da funcionária, ambos alcoólicos e juntamente com outro filho mais velho do casal com problemas mentais. Praticamente era este miúdo de 11 anos, o Rajendra, que tratava de tudo lá em casa incluindo tratar da pequenita. A Dil pediu-nos ajuda para a filha mas quando a sua mãe veio trazê-la ao hotel acompanhada do filho mais novo, tio da Renu portanto, acabámos por lhe dizer para também deixar o miúdo. Isto muito graças à atenta amiga Beta, presente nesta viagem, que reparou que este miúdo solícito, sempre prestável e educado, merecia uma outra oportunidade na vida e se ofereceu imediatamente para o apadrinhar.
Vinham ambos muito sujos, ele com roupas enormes e mais que velhas, mas logo depois de um bom banho e com as roupinhas que lhes oferecemos já pareciam outros. Ah! Também foi preciso comprar shampô e catar piolhos...
Falámos com a Jyoti e, no dia seguinte, já os miúdos estavam instalados na nova casa. Com tanta novidade, jogos, brinquedos e companheiros de brincadeira, a alegria era muita e logo ali se sentiram bem, na casa da Jyoti.
Segue-se a compra dos uniformes, o formal e o desportivo, este composto de T-shirt e calças de treino, que as crianças usam à 3ª e à 6ª feira para prática de atividades físicas ou lúdicas. Levei o Rajendra a um alfaiate na cidade para comprar à medida o outro uniforme bem como os sapatos e ele estava simplesmente radiante! É um menino que parece ainda não ter tido a oportunidade de ser criança, pouco habituado a ter atenções viradas para ele...
E que gosto ver a Renu na nova indumentária, tão feliz! Já na sala do infantário estava super atenta à professora. E ao regressar a casa foi logo pegar nos seus materiais, caderno, lápis e borracha, para fazer rabiscos, muito compenetrada.
Por sua vez, o Rajendra, que dizia andar no 6º ano, foi sujeito a um pequeno teste oral pelo diretor da escola que decorreu à minha frente. Verificou-se que o miúdo não tem quaisquer bases, mal reconhece os alfabetos devanágari da língua nepali e o latino da língua inglesa, que as crianças nepalesas aprendem na escola desde os primeiros anos. Diz algumas palavras em inglês, de cor. Atendendo à idade foi colocado na 3ª classe e vai frequentar aulas extra antes e depois do curso normal das aulas, que decorrem das 10:00 às 15:30, para tentar colmatar as graves falhas.
A entrada e a saída do recinto escolar é sempre feita de modo ordeiro sob vigilância de funcionários, professores e diretor. Às 10 horas, antes do início das aulas, toda a comunidade escolar se reúne no recreio onde se desenvolve o esquema habitual de exercícios de relaxamento e concentração, preces e palavras de ordem matinais. Seguidamente os alunos dirigem-se em filas alternadas de meninos e meninas para as salas de aula. Estes preceitos destinam-se a acalmar os ânimos e a preparar as mentes antes do começo de mais uma etapa de aprendizagem. Um ritual que, provavelmente, faz falta noutros países...
E aí estão eles na mesma escola em Pokhara, juntamente com outras crianças do lar New Vision, um lar onde as crianças se sentem felizes mas de onde várias foram levadas em circunstâncias muito estranhas, o ano passado. Circunstâncias que ultrapassam o meu entendimento mas que cabe a outras instâncias desvendar e resolver.
Foi também o caso do Parash e do pequeno Santosh que visitámos na instituição frequentada pela Ruth Lama que também já integrara anteriormente o lar New Vision.
Por mim, por nós, resta desejar que estas crianças estejam a ser bem tratadas e, pela nossa parte, cabe-nos tocar o projeto Humanity Himalayan Mountains que dá apoio a crianças órfãs e/ou de família uniparental em situação desfavorecida, onde se englobam, para além das que vivem nas aldeias, aquelas que ainda permanecem neste lar, o New Vision.

Obrigada às amigas Adelaide Silva e Marlene Schlenker que patrocinam, respetivamente, a Jasmine e a Alisha Gurung, as duas filhas da Jyoti que cuida delas sem qualquer ajuda do ex-marido. A pequena Shanti é patrocinada por mim própria. Por sua vez, a recém-chegada Renu viria a ser apadrinhada por Fernando Lemos, familiar da amiga Ana Baptista, também ela membro da Associação HHM presente nesta viagem, tal como a Beta que patrocina o Rajendra. Agradecimentos a todos por assim contribuírem para um futuro mais risonho para estas crianças provenientes de famílias problemáticas, em situações tão desfavorecidas. Para ficar mais claro, uma madrinha ou um padrinho é alguém que se compromete a contribuir para as despesas escolares e alimentares de uma criança, nem que seja só por um ano, num total de 320€.

Depois foi também tempo de voltar a cuidar da horta do lar tão carinhosamente tratada pela amiga Maguy em 2014. E dá gosto começar a ver de novo tudo aquilo a crescer e a dar fruto.
Mas no Nepal não tarda a chegar uma festa, um festival, um período de férias na escola. E chegam amigos, visitas, e aí vamos todos para o passeio. Foi o caso deste dia bem divertido e refrescante nas águas do rio Seti! 

E mais um dia de diversão para estes dois, a Shanti e o Khusal, na piscina de um hotel que ostenta as cores da bandeira portuguesa, no cimo de uma colina com vista para o lago Fewa.
Nos finais de agosto chega o Gai Jatra, o festival das vacas (o mais venerado entre todos os animais domésticos, no hinduísmo), uma das festas mais populares do Nepal. É comemorado para remover a tristeza da morte de membros da família. De acordo com as tradições, cada família que perdeu um parente durante o ano transato deve participar numa procissão pelas ruas levando uma vaca. Se não houver vaca disponível, um rapaz vestido como uma vaca é considerado um justo substituto.
Acredita-se que a vaca, animal sagrado, vai ajudar a jornada do parente falecido até ao céu. Escárnio e humor de todos os tipos tornam-se na ordem do dia, até noite. 
Gai Jatra é, pois, um festival saudável, que permite às pessoas aceitar a realidade da morte e preparar-se para a vida após a morte. De acordo com o hinduísmo, "o que o homem faz na sua vida é uma preparação que leva a uma boa vida após a morte". 
E para além do som, da cor, da animação que encheram as ruas de Pokhara neste dia, também houve direito à vista fabulosa dos cumes nevados dos Himalaias, como pano de fundo.
Depois celebramos a primeira festa de aniversário da pequena Shanti mesmo que o dia em questão não corresponda ao dia certo. Ela nunca tinha tido uma festa de aniversário e pronto!
E tudo isto já em jeito de despedida das crianças do lar, das mães que vivem sozinhas com os filhos e  das avós que estão sozinhas com os netos, dos amigos, dos pintores, do lago, das montanhas... 
Por fim, o regresso a Kathmandu e a despedida na escola da Bindi em dia de Teej, o festival das mulheres.

E de novo reunida com a Ana, despedimo-nos das ruas movimentadas da capital e deixamos em recatados templos budistas as bandeirinhas de oração que espalham as nossas preces aos quatro ventos...

Em outubro participaram no projeto da Associação Humanity Himalayan Mountains a Rita e a Sofia, duas voluntárias portuguesas que, durante um mês, monitorizaram e acompanharam a situação das crianças do lar em Pokhara e numa das aldeias de montanha. Contribuíram ainda com algumas tarefas de preservação da escola frequentada pelas crianças, durante as suas férias de Dashain.
Para além disso, serviram de ponte para o intercâmbio de desenhos e postais entre crianças de uma escola em Portugal e as do Nepal, levando os desenhos de umas e trazendo os de outras.
Por cá, continuamos a fazer as nossas feirinhas com a mão de alguns amigos. Vendemos pinturas e artesanato do Nepal, bem como calendários de bolso e pulseirinhas, entre outros, como forma de angariar fundos para as nossas causas e, assim, conseguirmos suportar as despesas mensais com o nosso projeto de apoio a crianças carenciadas daquele país.
Felizmente, contamos também com a preciosa colaboração de dedicados sócios que promovem animados eventos de angariação de fundos (como a cara Adelaide Silva), 
de pessoas simpáticas que revertem receitas dos seus workshops para a nossa Associação (obrigado "Poção Mágica", em Caldas da Rainha), de amigos que nos ajudam a divulgar o nosso trabalho em fraternos encontros galaico-portugueses (gratos à comunidade nortenha "Grão de Mostarda")
e até de anteriores voluntários que contribuem com donativos (um bonito gesto do gapper "Argonauta", André Gomes). Também as voluntárias Rita e Sofia viriam posteriormente a enviar brinquedos às crianças do lar. A todos os que de alguma forma nos apoiam os nossos sinceros agradecimentos.
O ano de 2016 findou com uma boa notícia: Foi provado na justiça que o lar New Vision não se encontra afinal legalmente encerrado e que, portanto, a Jyoti continua a ser a sua legítima presidente, apesar das tentativas de usurpação por parte do grupo espanhol. Assim, o lar em Pokhara voltará a funcionar em pleno e irá receber mais crianças necessitadas no decorrer do próximo ano.

Há várias formas de apoiar o nosso projeto, para quem estiver interessado. Pode fazer-se nosso sócio, apadrinhar uma criança, fazer voluntariado, encomendar uma pintura ou simplesmente fazer um donativo. Para mais informações contacte-nos ou consulte o website da Associação HHM. Também pode seguir a nossa página pública do Facebook. Namastê!