quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Epílogo da viagem

A vida prega-nos partidas. Desapegamo-nos do material, libertamo-nos do supérfluo, tornamo-nos mais leves. Mas ela… Zás! Teima em limar-nos. Suga-nos o sangue. Reserva-nos muito mais!

Três intervenções cirúrgicas, todas no ano passado. A terceira, completamente inesperada, era já demais! Como se não chegassem os estardalhaços interiores ou o desalento profissional, vêm golpear-nos o corpo. Mais uma longa e ansiosa recuperação.
Derramava a última gota de energia. E agarrei-me àquilo que a poderia restituir… À viagem! Porque é nestes momentos que os sonhos nos salvam. Como quem se agarra a uma bóia, entreguei-me e deixei-me ir. Confiei que me levaria a bom porto. E levou. Sempre.
Lugares, pessoas, experiências. Independente.
Incógnita e abençoada.

De momento vivo com pouco, sem emprego. Mas enquanto posso prefiro isso do que trabalhar p’ró boneco! E se alguma falta sinto do dinheiro é por saber os quantos mais poderia ajudar noutras paragens. Onde o nosso pouco se multiplica.
A vida teima em surpresas. Injecta-nos sangue novo. Presenteia-nos! Posso agora dizer que tudo, mas tudo, valeu a pena. Finalmente, tudo faz sentido.
Avento um conselho a quem me possa ler:
Não seja o medo ou a falta de coragem a impedir-vos de dar asas aos sonhos! Ponham em prática aquilo que vos espicaça a alma e que constantemente adiam por conformismo!

Voltei para a quarta. Remoção da ‘artilharia pesada’ do braço.
Alimento outro sonho. Fica para depois da recuperação.
Viajar de novo. Desta vez com destino marcado.

Desejo óptimas viagens a todos!
Quem sabe não nos cruzaremos por aí…
- xxx -
Entretanto vou actualizar o blog das minhas viagens anteriores relatadas no outro blog:

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Despedidas

Os últimos dias no Nepal foram vividos de forma intensa.
Em Pokhara fui-me despedindo dos espaços, cheiros e sabores,
mesmo do outro lado do rio,
em almoços e jantares com amigos,
sem descurar a apetitosa comida de rua, 'pani puri' a minha favorita.
Ainda conheci a Lonnie, uma americana que me contactou através do CS, e com ela despedi-me dos amigos do restaurante Shiva e do Shiva himself.
Despedi-me dos jantares e das brincadeiras no meu hotel
bem como da criançada que por lá irrompe
cada uma ao seu estilo.
Despedi-me da Saru, da Mira e da sobrinha,
dos nossos passeios de scooter,
das idas à cidade faça sol ou faça chuva,
e da festa!
Das nossas aulas de dança nepalesa e das noites do 'Dohori', música tradicional.
Do lago
e dos passeios a qualquer hora do dia.
E com a Sunita despedi-me do templo no meio do lago.
Despedi-me dos amigos de Hallan Chowk,
do Devi e da internet,
das aulas de pintura e de nepalês,
da família do parapente, da Hellen e do Khim
e do restante pessoal do hotel em Pokhara.
Da casa, da família e das crianças em Chitwan.
E dos putos do orfanato.
Despedi-me dos engarrafamentos de trânsito nas estradas e do trânsito nas ruas de Kathmandu,
da 'skyline' da cidade e da Chitra que me acompanhou na viagem de avião.
Foram cinco meses a viajar e outros cinco só no Nepal, o tempo máximo de permanência permitido ao turista neste país. O passaporte está cheio. E outros 'deveres' se levantam...
Pheri bethaula, Nepal!
É o regresso a Portugal.