quinta-feira, 7 de abril de 2011

Donativos

Infelizmente há quem se aproveite dos orfanatos. Infelizmente muitas vezes são estrangeiros que tiram partido de conhecimentos tecnológicos e outros que os nepaleses, na maioria das vezes, não têm. Tentei ser criteriosa quando escolhi este orfanato o ano passado. Sabia que era apenas gerido por nepaleses que trabalham em regime de voluntariado e que era dos mais necessitados.
Em 2009 uma voluntária australiana trabalhou aqui 3 meses. Teve, ao que parece, o tempo e a oportunidade de ‘magicar’ um plano. Associou-se com parceiros nepaleses, ‘pegou’ nalgumas crianças que até têm pais, construiu um website e montou o negócio. Eu descobri este website o ano passado mas levei algum tempo a compreender toda a situação e quem dela tirava partido. Só agora as coisas ficaram completamente esclarecidas. Foram conversas com o diretor da escola e reuniões com os membros do comité de direção do orfanato. E investiguei.
Essa voluntária comprometeu-se a angariar fundos para pagar as despesas escolares das crianças em 2010. Pagou apenas os primeiros 3 meses. A dívida do orfanato em relação ao ano passado ronda os 700 euros. E enquanto não for paga os miúdos não poderão voltar a frequentar esta mesma escola.
O tal website continua ativo. Tem o nome deste orfanato e as fotos destas crianças. O negócio deve estar a correr bem porque além de um hotel compraram um autocarro. Telefonei para lá fazendo-me passar por voluntária. Sabemos agora de quem se tratam estas pessoas e onde estão. Estamos a tentar, junto das autoridades competentes, empreender todos os esforços para que este falso website seja retirado da web. Ir-vos-ei dando notícias na medida do possível e tendo em conta que presentemente no Nepal os cortes de energia são diários e por mais de dez horas (E já é uma sorte quando não são simultâneos com a falta de água…)
Apenas difere do atual e verdadeiro website, que aqui deixei anteriormente, na terminação (.com em vez de .org). A Mina, uma voluntária nepalesa, está a construí-lo aos poucos à medida que vai estudando o assunto no curso que frequenta. Lamento não poder ajudá-la mas também não sei fazer websites. Fico-me pelo blog.
Quando o abrimos aparece agora uma ´página de despiste’ dizendo que está em construção. Mas clicando em ‘News’ aparece toda a anterior informação que eu descobrira e onde deixei um comentário. A partir daí acedemos às páginas onde os voluntários se inscrevem e àquelas em que se pedem donativos, avultados, para as propinas escolares das crianças e até para pagar salários de tutores que não existem. E é sempre este website que aparece em primeiro plano quando fazemos a busca ‘Everest Children Home’.
Para as despesas do dia a dia o orfanato vai contando com a ajuda de voluntários. Quando cheguei estava cá a Charlotte, inglesa, e entretanto chegou o Alexandro, holandês. Também há quem apareça, através de voluntários que passam palavra, simplesmente para oferecer alguma comida. Ou que lá levo, como foi o caso da Tone, norueguesa.
Mas a Jyoti queixa-se que por vezes mal tem dinheiro para comprar o arroz ou variar o ‘tarkari’ (refogado de vegetais) que acompanha o dal bhat. E quando a Jyoti se queixa eu acredito.
Acredito também que quando aceitamos navegar o fluxo mágico da vida, ele nos leva aos portos certos. Onde nos esperam as pessoas certas. A minha viagem há muito que deixou de ser incógnita. Foi aqui que ela me trouxe. Estou onde devo estar. E os meus dias são plenos, intensos. Grandes.
O fluxo mágico trouxe-me, o ano passado, a Wildes, uma brasileira que vive em Pokhara. Através dela veio agora o Francis, francês. Juntos visitámos o afilhado que ele apadrinha desde os cinco anos. Foi a primeira vez que se viram. E nós só nos vimos uma vez. Todos juntos visitámos em seguida ‘o meu’ orfanato. O Francis contribuiu na hora.
A minha meta, primordial e urgente, era conseguir o dinheiro para pagar a dívida da escola. Possibilitar que as crianças a continuem a frequentar. Depois logo se vê. Seguimos em frente confiando. Que os risos e a alegria contagiante destas crianças nos tragam os meios e o engenho para navegar obstáculos. Meus amigos, tenho isto para vos dizer:
Esta meta foi atingida!
Também nós nos cruzámos nesse fluxo, nalgum momento, nalgum lugar, de algum modo, por alguma razão. Que bom saber-vos, aí ou aqui. Não importa. Podem estar longe mas senti-vos perto. Porque não há distância na dimensão que nos une.
A todos quantos até aqui me ajudaram a ajudar, um xi-coração do tamanho dos Himalaias. Namastê!

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