terça-feira, 4 de outubro de 2011

SRI LANKA

Fiz escala em Bali onde passei uma noite hospedada de novo pela Dyah que me foi buscar e levar no dia seguinte ao aeroporto. A mudança de avião em Bali implica passar na imigração e controlo alfandegário o que significa pagar de novo o visto de 25 USD e depois a taxa de saída da Indonésia de 150.000 rupias. Não existe sequer um visto de trânsito. Uma boa forma de fazerem mais uns trocos à conta dos turistas…
Na noite seguinte fiz escala em Kuala Lumpur (aqui os trâmites no aeroporto são idênticos só que o visto é grátis e não há taxa de saída) e continuei na Air Asia para Colombo, Sri Lanka.
Colombo
Estou de volta aos países dos tuk-tuks, dos sarees, dos templos hindus, dos monges budistas, com vestígios recentes do império britânico e verde, muito verde. Mas, felizmente para mim e outros viajantes, nesta altura mal se sentiu a monção, praticamente só choveu um dia enquanto visitei o país. Mudanças do tempo...
Odel, Independence Hall
Templo Gangaramaya
Town Hall visto do Parque Vihara Mahadevi, Seema Malakaya
Após uma breve visita à capital, rumei, contrariamente aos meus planos iniciais, para norte. Eu não trago comigo qualquer mapa nem roteiro de viagem, ouço indicações de algumas pessoas e pesquiso na internet nas vésperas ou quando chego ao país. Traço um plano geral de viagem, sem nada fixo nem reservas, e vou...
Neste caso seria uma viagem de cerca de 5 horas de Colombo até Anuradhapura e preocupava-me um pouco não ter ideia de qualquer alojamento lá mas conheci a Nandy no autocarro que imediatamente me convidou para ficar na sua aldeia. Pronto, já tinha a reserva de quarto feita...
Anuradhapura foi palco do massacre realizado pelos Tigres de Libertação de Tamil Eelam em 1985, o maior massacre de civis cingaleses até à data. O irmão da Nandy morreu nos confrontos.
 
A aldeia fica a hora e meia de autocarro e tuk-tuk a partir de Anuradhapura, no meio da selva. O turista é uma curiosidade e os elefantes andam por perto. Felizmente este ia acorrentado...
Moonstone, entrada para o mundo sagrado
Anuradhapura é uma das antigas capitais do Sri Lanka, famosa pelas suas bem-preservadas ruínas da civilização lanká. Fundada no século IV a.C., foi a capital do reino de Anuradhapura até o princípio do século XI. Durante este período permaneceu um dos mais estáveis e duradouros centros do poder político e da vida urbana na Ásia Meridional.
Isurumuniya
A antiga cidade, considerada sagrada para o mundo budista, é atualmente rodeada de mosteiros cobrindo uma área de mais de 40 km². Anuradhapura é também importante na lenda hindu como a capital do rei asura Ravana no Ramayana. Foi declarada Património Mundial da UNESCO em 2006.
Stupa Ruwanwelisaya
Monges, imensos peregrinos nacionais vestidos de branco, oferendas por todo o lado, nesta área sagrada.
Bodhie Tree
Thuparamaya, Jetavana stupa
Como noutros países asiáticos, as pessoas são extremamente afáveis e gostam de interagir com o turista.
Dali dirigi-me para Dambulla onde me hospedei numa simpática 'guesthouse' com deliciosa comida orgânica.
Golden Temple
Rock Temple
Fiz as minhas viagens sempre em autocarros locais em que vi mais um ou dois turistas nesta zona. A partir de Dambulla visitei Sigiriya, não sem antes tomar um chá com os simpáticos turistas nacionais que me convidam.
Sigiriya, outra antiga capital do Sri Lanka, foi construída durante o reinado do Rei Kassyapa (477-495 a.C.) sobre um rochedo de granito, elevando-se a uma altura de 370 metros. É também património mundial da UNESCO.
Wall Mirror, frescos
A fortaleza foi originariamente construída na forma de um leão agachado, com a entrada sendo feita pela boca do leão. As patas gigantes são só o que restou da figura do leão mas o seu imponente perfil ainda se impõe em toda a estrutura, com pedras enormes esculpidas e pintadas.
Sigiriya reúne um grande complexo de jardins geométricos, piscinas, fontes e edifícios. Do alto do rochedo pode ainda ver-se parte da piscina real, o trono, os restos do grande palácio, com as suas passagens e jardins.
Segui para Polonnaruwa, pacata localidade situada à beira de um grande lago artificial, o Topa Wewa Lake ou Mar de Parakrama, criado pelo Rei Parakramabahu I (1153-1186), cujo reinado foi idade de ouro de Polonnaruwa.
 Vatadage
 Palácio Real
Trata-se de outra esplêndida capital do Sri Lanka medieval, estabelecida no século XI, que substituiu Anuradhapura, saqueada pelos exércitos invasores do sul da Índia. A cidade chegou a um auge deslumbrante mas breve, no século XII e, apesar de devastada pela invasão nos séculos seguintes, muita evidência ainda resta dos seus tempo de grandeza e glória.
Desta vez visitei de bicicleta toda a área da antiga cidade, que se estende por cerca de 7 km, onde estão os edifícios do palácio, stupas, templos e vários outros edifícios religiosos.
Gal-Vihara
Rankot Vehera
Lankathilaka, estátua do rei Parakramabahu
No autocarro para Kandy conheci o Salinda que se transformou no meu guia de visita ao Templo do Dente de Buda, principal centro religioso dos budistas.
Kandy
Fiquei alojada em Wattegama, em casa da CS Judy, uma inglesa a viver no Sri Lanka. A sua casa, situada em verdes colinas, a uma hora de Kandy, foi o sítio ideal para uma pausa na viagem. Para além de toda a natureza e sossego circundante, vi-me rodeada de cães e, caso inédito para mim, de gatos!
De Wattegama continuei de autocarro para Badulla onde me esperava o CS Nishan. De motorizada continuámos para a sua aldeia, perto de Passara. Uma região belíssima, com vista panorâmica para montes, vales e enormes plantações de chá.
Passara
A sua família foi super acolhedora e a mãe uma excelente cozinheira.
Com o Nishan visitei um pouco a região, incluindo Ella, uma pequena e bonita aldeia com cascatas e vistas graciosas.
Little Adam's Peak
No regresso começou a chover mas o Nishan, que já o previa, estava prudentemente munido de dois fatos impermeáveis. E toca a andar! Foi o primeiro dia de chuva a sério que apanhei na minha viagem desde que deixei o Nepal em Agosto.
Templo Budista de Badulla
Por fim cheguei à costa sul e o mar à minha frente.
Fiquei uns dias em Galle.
O primeiro contacto dos portugueses com Galle, o principal porto da ilha desde a Antiguidade, ocorreu em 1505 quando aqui aportaram sob o comando de D. Lourenço de Almeida, inaugurando uma nova etapa na história da ilha graças à amizade que estabeleceram com o então soberano da ilha, Dharmaparakrama Bahu (1484–1514).
O forte, construído pelos portugueses, caiu depois para os holandeses e finalmente foi ocupado pelos britânicos. Fiquei alojada no interior do forte numa 'Dutch Villa'.
Museu Marítimo
Galle, ruas do Forte
Muitas das belas moradias estão neste momento em reconstrução.
 Koggala
Em Galle encontrei-me com o CS Deepal, um cordial geólogo que me levou na sua motorizada a visitar a Casa-Museu de um escritor cingalês em Koggala e algumas praias da zona.
Pesca de palafitas, Unawatuna
Agora vou andar pelo sul da Índia. Se alguém lá quiser ir ter comigo nos próximos tempos que diga, tá?