sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Viagem e voluntariado no Nepal

Para quem tiver interesse em fazer voluntariado no Nepal ou simplesmente visitar o  país e desenvolver algumas atividades (trekking, safari, parapente, meditação e yoga...), aqui ficam estes programas:

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Mais não deu...

Em relação ao ano passado, ficam por ajudar a Manisha e a Amrita, o Sudip e a Anisha... Para além de tantas outras crianças nepalesas também necessitadas, a viver em condições de extrema pobreza ou em meios familiares complicados, num dos países que figura entre os mais pobres do mundo. Mas mais não me é possível fazer, por agora.
Pokhara fica em obras de melhoramento e reconstrução, sabe-se lá por quanto tempo. Só espero que o sossego e a pacatez não desapareçam desta cidade, ponto de partida para as fabulosas montanhas do Annapurna. Também o lago fica com o seu encanto e magia a qualquer hora do dia.
E, para já, este blog também fica por aqui, a não ser que haja algum dado novo digno de registo ou algum agradecimento a salientar.  Poderá contribuir para ajudar crianças e artistas nepaleses comprando uma pintura de 'Humanity Mountains'. Contactos para:

Namastê!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

As outras crianças

Últimos dias em Pokhara. A grande preocupação são agora as outras crianças que ajudei também o ano passado. E a 'dolorosa' decisão: pagar ou não as despesas escolares a elas relativas contando apenas com algum apoio por parte da Nona, da Eva e da Kellie. Mas apesar dos meus parcos recursos de viajante e a perspetiva de não ter emprego no regresso a Portugal, decidi avançar com o pagamento e deslocar-me às suas escolas. Preferi isso a arrepender-me de o não ter feito depois de partir.
Comecei pela escola da Asmita e do Anish, situada numa pequena localidade nos arredores de Pokhara, uma viagem de quase três horas de autocarro.
No início do percurso acompanhamos o leito do rio Seti Gandaki, o rio Branco. Um rio que este ano causou inúmeras mortes e vasta destruição devido a inundações provocadas por fortes chuvadas e avalanches desencadeadas na cadeia dos Annapurna.
Apeamo-nos do autocarro na estrada principal de ligação a Baglung e iniciamos uma subida de quase uma hora até à pequena aldeia no distrito de Parbat. O topo do monte oferece-nos espetaculares vistas para o vale do rio Kali Gandaki, o rio Negro, que desce veloz dos Himalaias.
Um conjunto de casas típicas nepalesas, ainda pouco invadidas pela inestética chapa de zinco, constituem a pequena aldeia cujos habitantes se dedicam principalmente à atividade agrícola nos campos que a circundam.
O principal cultivo é, evidentemente, o arroz que durante o mês de julho tem o seu 'apogeu': é a altura da monção, a época de o plantar. As próprias crianças estão de férias na escola e todos na família se fazem aos campos para labutar.
É um mês muito significativo para os nepaleses, celebrado com alegria e festa, uma vez que representa o garante do seu sustento básico, diariamente presente no prato tradicional, o 'dal bhat': arroz com lentilhas, legumes e molho picante.
E foi a deambular por aqueles carreiros enlameados que dei com a Binu a trabalhar no campo. Imediatamente veio ter comigo, tal como a Asmita e o Anish, apesar de envergonhados pelo seu 'revestimento' a lama.
Na aldeia todos os olhares curiosos se centram em nós. Nós, turistas. Nunca ali aparece algum...
A cozinha da Binu continua na mesma: simples e funcional.
Depois de tomarem banho debaixo da torneira de água fria no quintal, a Asmita e o Anish querem mostrar-me os conhecimentos que adquiriram em língua inglesa. O Anish é o melhor aluno da turma dele. A Asmita, que o ano passado não dizia uma palavra em inglês, já compreende a língua e escreve orgulhosa e rapidamente todo o abecedário que é completamente diferente do alfabeto devanagari usado na língua nepalesa.
Na escola as crianças levam-me a percorrer as salas de aula e a Asmita exibe, contente, a sua. Uma sala nova, com chão de terra e com telhado...
Pago então as propinas de todo o ano escolar referentes às duas crianças ao diretor desta escola que aqui se deslocou de propósito durante as férias. É o segundo ano que aqui venho com o mesmo fim. Como já referi anteriormente este dinheiro serve também para pagar salários de professores já que estas escolas são construídas pela comunidade e não têm qualquer apoio governamental.
Ao fim da tarde, faço-me ao caminho descendo a vertente e apanho lá em baixo na estrada um autocarro apinhado de povo. Chego a Pokhara durante a noite.

*********
Num dia de chuva desloquei-me de mota a Begnas Lake, uma localidade mais próxima e a bom caminho de Pokhara.
Na presença do diretor e do avô do Manish paguei todo o ano escolar desta criança que, tal como a irmã, e como já referi no meu blog o ano passado, foi abandonada pelos pais. O Manish está agora no sexto ano. Impressionou-me vê-lo tão reservado, tão caladinho, tão magro. Só então soube que ele esteve gravemente doente com febre tifóide encontrando-se ainda medicado.
A Asmita, o Anish e o Manish foram as outras três crianças que auxiliei este ano e com as quais gastei mais de quatrocentos euros só para propinas escolares; materiais, livros, uniformes e outras despesas não incluídas. Outras crianças ficam por ajudar mas mais não me foi de todo possível.
Procuro a partir de agora pessoas que queiram apadrinhar estas crianças em cada ano escolar. As despesas poderão ir dos duzentos aos quatrocentos euros por ano consoante o nível escolar frequentado (ver à direita a etiqueta 'Patrocinar as Crianças' na lista do Voluntariado) e ainda mais se a criança estiver numa 'boarding school'. Alguém interessado em o fazer queira contactar-me, por favor. Grata.

*********
Antes de abandonar Pokhara, tomei também a opção de ajudar os pintores a abrir o seu próprio atelier de pintura. Para além de esporadicamente lhes comprar tintas e rolos de telas, comprei quadros a óleo e acrílico por eles pintados... Na esperança de que este investimento ajude a subsidiar outras crianças. Veremos.
Os donativos que entretanto me chegaram e que serviram para colmatar parcialmente estas despesas foram da sempre presente amiga FÁTIMA R. e ultimamente da MARGARIDA M., uma amiga que eu conheci em Timor. Obrigada, Margarida, é bom saber e sentir que certos encontros não são efémeros mas antes os encontros certos que dão frutos além fronteiras... Até um dia no Nepal!