Este blog surgiu em 2009 com o intuito de relatar uma "Viagem Incógnita" que teve início com um bilhete só de ida para a Tailândia. Uma viagem independente, sem planos, a solo, que duraria quatro anos. Pelo meio surgiu um projeto com crianças carenciadas do Nepal que viria a resultar na criação da Associação Humanity Himalayan Mountains. Assim, este blog é agora dedicado a esta outra "viagem", de horizontes longínquos, no Nepal.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O rio Ayeyarwady



Fiz a viagem de barco de Mandalay para Bagan, descendo o rio Ayeyarwady. Cheguei ao porto de madrugada e pensei que seria a unica turista naquela longa viagem em que as pessoas se instalavam, o melhor possivel, pelo soalho fora.


Mas chegaram mais tres almas errantes, aventureiras, curiosas e apaixonadas e juntos empreendemos a viagem de dia inteiro para Bagan, em 'slow boat', partilhando historias e apreciando a paisagem desde o nascer ao por do sol.




O Ethan é israelita e viaja ha um ano. Partiu da Namibia onde trabalhou como mecanico. De mota. Vai continuar pela China e Siberia.


A cozinha do barco



Os simpaticos passageiros
A Sabina é alema, veterinaria. Viaja ha 17 meses. Partiu da Alemanha, tambem de mota, atravessando a Turquia, Irao, Afganistao e Paquistao. Vai continuar pela Indonesia e Filipinas. Ela e o Ethan conheceram-se algures em viagem e deixaram as motas na Tailandia para vir visitar Myanmar.

O Ayeyarwady é o rio mais longo de Myanmar e a via fluvial comercialmente mais importante do país, com um comprimento de 2170 km e uma bacia hidrográfica de aproximadamente 411 000 km².

Este rio é formado pela confluência, a norte, dos rios Mali e Nmai. Outra fonte importante é o Tarong, que nasce no extremo sudeste do Tibete, nos Himalaias.


Nos seus primeiros quilometros, passa por terreno montanhoso, não muito longe da fronteira chinesa. Em seguida, cruza a grande planície central mianmarense, cortando o país de norte a sul, antes de desaguar no mar de Andamão, no oceano Índico, por meio de um delta de nove braços.









O barco vai parando nalguns portos ao longo do trajecto. Descarrega-se mercadoria, entram vendedores...
entram e saem passageiros.




A Chan nasceu num campo de refugiados na Tailandia, os pais sao do Cambodja e agora vivem no Canada. Esteve o ultimo ano a dar aulas de ingles na Coreia do Sul. Viaja sozinha ja que o namorado preferiu voltar directamente para casa. Ela decidiu investir primeiro as poupancas no conhecimento do mundo. Tem tempo para trabalhar e, naquele pais, oportunidades nao faltam. Tem 24 anos.
E ao cair da noite, ja os conhecimentos se estendiam por familias inteiras...


Chegámos à noite e foi com a Chan que me instalei em Bagan, mais propriamente em Nyaung U, a partir de onde visitariamos os templos.


A sala do pequeno-almoco do hotel


Mercado de Nyaung U


Jantando com o Saw L, de Yangon, depois de o ter conhecido num dos templos de Bagan.



Shwezidon Paya

Nyaung U

segunda-feira, 19 de abril de 2010

À volta de Mandalay


No dia seguinte, lá estava o Seithan à nossa espera para irmos visitar os arredores de Mandalay.



Começámos em Amarapura por causa da luz...


E para ver a oferenda de comida às centenas de monges do Mosteiro Maha Ganayon.


Olhamos para os monges ainda com mais respeito quando nos lembramos que, neste país, os monges são revolucionários!



Por entre vacas e furgonetas bem aviadas, seguimos para outra localidade: Sagaing.

Rio Ayeyarwady


Subir tanta escada não é facil mas as vistas são totalmente compensadoras de qualquer esforço.


Sagaing é um centro religioso e monástico, com inúmeros mosteiros budistas. Fundada pelo rei Athinkhaya Saw Yun em 1315, pouco tempo depois da queda de Bagan, a cidade serviu como capital durante 50 anos e recuperou a posição de capital real novamente de 1760 a 1764.


Os britânicos construíram a ponte Ava que liga Sagaing a Mandalay.



E no meio de monjas rosa e sapos de bronze gigantes, quem encontro no templo Soon U Ponya Shin, no cimo da colina de Sagaing?


O tal monge que conheci no dia anterior na torre do Palácio de Mandalay. Tirámos mais uma foto para a posteridade...



E estes monges para além de simpáticos são lindos!!!
Todas as posições são válidas para tentar uma boa fotografia e, depois de almoço, já embarcávamos para outra localidade: Inwa...



Onde alugámos uma carroça para visitar esta antiga cidade que foi a capital de Myanmar de 1364 a 1841.

O inquieto cavalo lá nos transportou atraves de monumentos e campos de arroz, mas a mim pareceu-me que ele se preparava para desertar mais cedo ou mais tarde.


O mosteiro Maha Aungmye Bonzan, de 1822

A torre Nanmyin, apesar de inclinada, tambem oferece bonitas vistas.


O belo e ornamentado mosteiro Bagaya, feito em madeira


Is that a 'motorbike' near the temple?? (private joke)



Ao fim da tarde voltámos a Amarapura para, desta vez, apreciar, de barco, a famosa ponte U Bin Bein.





A ponte U Bin Bein é a maior ponte em madeira do mundo, com 1,2 km, construída para salvar os pilares de teca indesejados do antigo palácio de Mandalay.




O Stefan faz pesquisas no domínio da física espacial, não admira que seja tão fascinado pelo astro solar.

Acabámos em Amarapura por causa da luz...


O Stefan foi mais um excelente e divertido companheiro de viagem. Despedimo-nos em Mandalay quatro dias depois de nos termos conhecido. Ele seguia mais para norte e eu iniciaria o regresso, no sentido descendente, a Yangon.