Este blog surgiu em 2009 com o intuito de relatar uma "Viagem Incógnita" que teve início com um bilhete só de ida para a Tailândia. Uma viagem independente, sem planos, a solo, que duraria quatro anos. Pelo meio surgiu um projeto com crianças carenciadas do Nepal que viria a resultar na criação da Associação Humanity Himalayan Mountains. Assim, este blog é agora dedicado a esta outra "viagem", de horizontes longínquos, no Nepal.

sábado, 10 de julho de 2010

À volta de Pokhara


Aqui ficam imagens de alguns sitios que visitei nas imediações de Pokhara.
O rio Seti Gandaki
O autocarro é uma forma bem 'rústica' de viajar no Nepal mas eu fiz mesmo todas estas visitas de mota, neste caso com o Devi, um dos meus amigos de Pokhara.
Begnas Tal é o segundo maior lago de Pokhara Valley situado a uma altitude de 650m e cobrindo uma área de 3 km². Localiza-se na aldeia Siswa e fica a cerca de 15 km de distância da cidade de Pokhara.
Está rodeado por uma floresta designada Panchabhaiya Danda e oferece o refúgio perfeito no meio da natureza devido ao seu relativo isolamento. Por trás de nós em baixo, na foto, situa-se um Centro de Meditação Budista.

Bandipur


A localidade de Bandipur situa-se no 'lombo' de uma montanha, a uma altitude de 1030m, 700m acima do vale do rio Marsyangdi e 80 km a leste de Pokhara. Está ligada por uma estrada de acesso a 8 km de Dumre desde 1998.


O 'lombo' da montanha, com apenas 200m de comprimento, é larga o suficiente para acomodar a rua principal ladeada por edificios de dois ou três pisos de ambos os lados. Nas traseiras destas casas a montanha desce abruptamente e os jardins só são acessíveis por escadas.


Bandipur foi estabelecida por comerciantes Newar de Bhaktapur que se aproveitaram da sua localização para desenvolver um importante ponto de paragem na rota do comércio Índia-Tibete. Com eles trouxeram o seu património cultural e a arquitectura que basicamente se manteve inalterada até hoje.
Bandipur transformou-se num próspero centro de comércio com edificios consideráveis de fachadas neoclássicas e ruas pavimentadas com lajes de ardósia prateada.
Teve o seu auge no periodo Rana (1846-1951) quando, como uma medida do seu poder e prestígio, lhe foi concedida uma permissão especial para ter a sua própria biblioteca ainda existente.


Na década de 1970, o comércio caiu em forte declínio com a construção da rodovia Kathmandu-Pokhara que, logicamente, foi construída no vale Marsyangdi, deixando Bandipur isolada no topo da montanha.


A sua altitude média proporciona excelentes vistas dos Himalaias: Dhaulagiri, Annapurna, Manaslu, Ganesh, Langtang Himal, o Vale Marsyangdi, o Monte Manakamana e Gorkha.


Quando visitei a vista não era das mais nitidas mas aquelas 'pinceladas' brancas por cima dos montes azuis nas duas fotos não são nuvens, são os Himalaias...
Visitam-se tambem mosteiros altaneiros com soberbas vistas dos arredores de Pokhara...

Matepani Gumba


... e templos hindus no cimo de colinas.
Bhadrakali Temple

Escolas também...
Biblioteca
Salas de aula

Os alunos usam uniformes que podem variar de escola para escola.

sábado, 3 de julho de 2010

Annapurna trekking

Previam-se mais protestos por todo o país e achei que era então a melhor altura para fazer um trekking e refugiar-me na montanha. Apanhei um táxi para o aeroporto com outro turista de feições asiáticas hospedado no mesmo hotel. Ele também seguia para Jomson mas voava com uma companhia diferente. Pouco falámos e em ingles.


Sobrevoámos a cidade de Pokhara em direcção ao maciço de montanhas Annapurna localizado a norte.

As montanhas Annapurna são numeradas por ordem decrescente de altitude com um algarismo romano. O Annapurna I, com 8091m, é a montanha mais alta do maciço; o Annapurna II, com 7937m, é a segunda, e assim por diante. O Annapurna I foi a primeira montanha com mais de 8000 metros a ser escalada na história do alpinismo. É a décima montanha mais alta do mundo e uma das mais difíceis e perigosas, de entre as montanhas com mais de 8000m.

O imponente Dhaulagiri (8167m), a sétima montanha mais alta do mundo. Foi escalado pela primeira vez em 1960, por uma expedição suíça.

Aterrámos em Jomson 20 minutos depois, manha cedo, e somos logo brindados com esta fabulosa vista do Nilgiri Norte com mais de 7000 metros de altitude.

Jomsom é uma cidade situada a uma altitude de 2800m na região de Mustang, nas margens do rio Kali Gandaki. É a sede do distrito, um centro administrativo e comercial, e os habitantes da zona são principalmente os Thakalis.

Iniciámos o trekking em Jomson em direcção a Kagbeni. O trilho segue o rio Kali Gandaki que constitui o mais profundo desfiladeiro do mundo. De um lado está a Cordilheira Annapurna e, do outro, o Dhaulagiri. O percurso engloba vistas de 8 das 20 montanhas mais altas do mundo.

O leito do rio Kali Gandaki está seco durante o inverno, mas durante a monção de verão enche-se com a água da chuva e da neve derretendo. O cenário varia entre florestas de rododendros, penhascos rochosos e deserto.

Kagbeni surge-nos como um oásis no meio de uma paisagem árida e varrida pelo vento.

Plantações de trigo em Kagbeni

É um povoado encantador, de aparência medieval, a 2840m de altitude. É a porta de entrada para o Upper Mustang, uma área de acesso restrito para estrangeiros, onde é necessária uma permissão especial (e cara) para visitar.

Vistas do mosteiro Kagchode Thubten Sampheling, fundado em 1429

Deixamos Kagbeni e continuamos a subida rumo a Muktinath.

As nuvens escondem os altos cumes nevados

Mosteiro de Jharkot, um vilarejo a 3500m

Descalçando-me para entrar no mosteiro onde os monges entoavam a 'puja'

Mulheres tibetanas chegando ao mosteiro

Roupa estendida no terraço do mosteiro

Seguimos pela estrada por onde agora tambem já passam jipes. Cruzamo-nos com poucos caminheiros nesta altura do ano.

E quem encontro à chegada a Ranipauwa, perto de Muktinath? O tal turista com quem apanhei o táxi do meu hotel para o aeroporto. E quem era ele afinal? O Steve... brasileiro! Falámos portugues a cerca de 3800m de altitude. Muito bacana! Ele fez o percurso de jipe e preparava-se para regressar a Jomson.

Ranipauwa é um vilarejo que está logo abaixo dos templos de Muktinath. Foi lá que conheci tambem esta admiradora tibetana do Cristiano Ronaldo.

Entrada no complexo de templos de Muktinath

Muktinath é um local sagrado tanto para hindus como para budistas, constituindo o mais importante lugar de peregrinação do himalaia nepalês. Para além de peregrinos nepaleses, muitos indianos também visitam estes templos.

Muktinath, o “Senhor da Salvação”, é uma das formas de adoração de Vishnu. Já os budistas, associam a deidade com Chenresig, o bodhisattva tibetano da compaixão. É interessante observar como as duas religiões, o hinduísmo e o budismo, convivem lado a lado no Nepal.

O templo está guardado por pombas, deuses e sadhus.

Em volta desde templo estão 108 bicas de água sagrada.

De Muktinath regressámos a Jomson de jipe (para quê fazer a caminhada nos dois sentidos?) e daí continuámos o trekking descendente para sul, em direcção a Marpha.

No caminho cruzamo-nos com uma fauna variada:

cavalos comilões,

vacas que nos espreitam,

burros selvagens e mulas de carga,

cães que nos falam.

Marpha

Atravessamos várias pontes de um para o outro lado do Kali Gandaki.

Electricista sempre foi uma profissão arriscada...

Eu e o meu guia

A caminho de Ghasa

Um belo banho de lama e uma boa soneca

E eis que duas caminheiras se aproximam de nós. Quem eram? A Alice, que conheci no voo de Kathmandu para Pokhara, com a irmã. Tinham feito todo o circuito do Annapurna durante 18 dias.

Almoçámos todos em Rupse Chhara, a 1550m, e ficámos no mesmo alojamento em Tatopani, a 1190m. Tatopani significa água quente em nepalês. Na vila encontramos várias piscinas de águas termais onde podemos tomar um relaxante banho. Nada melhor para terminar a caminhada.

Eu já tinha feito o percurso através de Ghorapani e Poon Hill numa das visitas anteriores ao Nepal. Por isso, de Tatopani regressámos a Pokhara de autocarro, uma viagem que tambem é uma aventura devido ao estado das 'estradas'. Os protestos não chegaram a acontecer pois a criação de uma nova constituição para o país foi adiada por mais um ano.