Este blog surgiu em 2009 com o intuito de relatar uma "Viagem Incógnita" que teve início com um bilhete só de ida para a Tailândia. Uma viagem independente, sem planos, a solo, que duraria quatro anos. Pelo meio surgiu um projeto com crianças carenciadas do Nepal que viria a resultar na criação da Associação Humanity Himalayan Mountains. Assim, este blog é agora dedicado a esta outra "viagem", de horizontes longínquos, no Nepal.

sábado, 25 de setembro de 2010

Regresso ao Orfanato

Continuando em Pokhara não pude deixar de voltar ao orfanato. E todos os dias lá ia pelo mesmo caminho de cabras cada vez mais obstruído com pedras e esburacado pela monção.
Às oito crianças que já conhecia juntaram-se mais duas: o Anil e o Jeeban, duas crianças de rua recolhidas, entre outras, por uma associação social que posteriormente as distribuiu por várias instituições.
O Nepal é um país maravilhoso, com uma cultura rica e diversificada, mas é ainda um dos países mais pobres do mundo. Para além dos desafios políticos, sociais, educacionais e económicos, o país enfrenta todos os anos os desastres naturais decorrentes, por exemplo, das monções e as doenças devido à falta das condições sanitárias básicas e de cuidados médicos. As crianças são particularmente afectadas por estas situações sendo abandonadas pelos pais ou ficando órfãs. Tornam-se vulneráveis aos abusos e muitas caem na 'vida de rua'.
Os rapazes já tinham os novos uniformes escolares mas o dinheiro ainda não chega para comprar o das meninas que continuam a usar o antigo.
Depois de deixar as crianças na escola habitual, acompanhava o Anil e o Jeeban a uma escola diferente, pública.
A casa tinha outros novos hóspedes que a olhos vistos iam crescendo.
Eles continuam uns comilões, a adorar o dal bhat e tudo o mais que as visitas lhes ofereçam.
Acima de tudo estas encantadoras crianças continuam a deixar-nos perfeitamente encantados.
O Rabin e a Alisha
O Raju e a Ruth
O Joseph, a Jasmin e a Bin Kasi
E continuam aplicados e a levar os estudos muito a sério. Como é o caso do Bishal que entrou para a escola este ano.
Manifestam-se e desenvolvem-se capacidades.
O Jeeban gosta de desenhar e pintar, o Joseph tem uma inclinação especial para a música, a Bin Kasi adora dançar e cantar as músicas nepalesas.
E os mais novos vão-lhe dando o jeito.
Estão sempre bem dispostos e prontos a fazer a festa. Nunca os vi chorar nem fazer birras e na doença mal se queixam.
Cantam os parabéns aos adultos e aguardam pacientemente o seu quinhão de bolo.
O Caramboard é um dos jogos preferidos para além do Uno que lhes ofereci.
E o Raju continua a pular para o nosso colo.
Lá ia ajudando a Jyoti nas tarefas domésticas, como lavar e cozinhar. Por vezes ía com ela apanhar erva para os coelhos.
A criançada deleita-se com um lanche no meu hotel.
Gostam de sair, ir para o parque, passear e correr à beira lago.
Os dois meninos abraçados, o Rabin e o Raju, são irmãos. Enquanto estive no orfanato e pelas informações do casal, nunca um familiar de qualquer uma das crianças os veio visitar. A alegria deles dá-nos grandes lições...
E instalam-se no novo sítio favorito onde ficam atentos a apreciar o vaivém de barcos e passageiros que visitam o templo no meio do lago.
A Jyoti continua a esbanjar simpatia e a distribuir sorrisos luminosos.
Juntamente com outros elementos do Comité de Direcção, fizeram-me uma festa surpresa de despedida.
Custa dizer-lhes adeus mas pelo menos neste momento fica lá a Alex, outra voluntária, uma diligente jovem inglesa, encarregue de me contar as novidades e o que por lá se vai passando...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sarangkot

De Pokhara avistamos a colina onde se situa a pequena aldeia de Sarangkot que alcançamos percorrendo um caminho íngreme e pedregoso.

A aldeia está localizada no cume da montanha a uma altitude de 1600m com vistas panorâmicas do Himalaia para um lado e da cidade de Pokhara e do seu lago para o outro.

Em dias de céu limpo temos esta fenomenal visão do maciço Annapurna.

Mas há outra estimulante razão para abordarmos Sarangkot e que eu tive oportunidade de experimentar no dia em que conheci a Kathy, uma austríaca que trabalhou dois anos em Oman e que me contactou através do CS. O quê???

Parapente, pois então!

Vai uma corridinha rampa abaixo e aí estamos nós a planar.

Proporcionou-se tudo tão rapidamente que não tive tempo de sentir medo. Apenas ficava ligeiramente 'desassossegada' quando, entre a preocupação de tirar fotos e o apreciar as estonteantes vistas, me lembrava de onde estava...

E por ali andamos a passear no ar, acima e abaixo, de um lado para o outro da montanha.

Voamos perto das aves que nos ajudam a localizar as correntes de ar térmicas necessárias para subir em altitude.

'Vai uma subidinha até aquela nuvem?', pergunta-me o meu experiente piloto. 'Vais ver como é mágico!'

Que se dane! Também já estou por tudo.

Fiquei literalmente nas nuvens.

Sobrevoamos o lago de uma ponta a outra.

Flutuamos por cima de Lakeside - Pokhara.

E é tempo de descer.

Aterramos em perfeita segurança, as minhas pernas um pouco bamboleantes mas tudo bem, nada de enjoos ou tonturas como outras pessoas que também fizeram o seu baptismo de voo.

Resta-me acrescentar mais um 'pormenor': um voo de 45 minutos custa 100 dólares. Foi grátis para mim. Porquê?

Simplesmente porque continuo a conhecer as pessoas certas nesta minha viagem incógnita e abençoada. A Wildes é brasileira e pratica parapente há 15 anos.

Ela e o David, o meu piloto suiço, conheceram-se no Nepal onde vivem há 6 anos. São donos de um centro de parapente em Lakeside. Neste momento faço para eles um trabalho de tradução.