Este blog surgiu em 2009 com o intuito de relatar uma "Viagem Incógnita" que teve início com um bilhete só de ida para a Tailândia. Uma viagem independente, sem planos, a solo, que duraria quatro anos. Pelo meio surgiu um projeto com crianças carenciadas do Nepal que viria a resultar na criação da Associação Humanity Himalayan Mountains. Assim, este blog é agora dedicado a esta outra "viagem", de horizontes longínquos, no Nepal.

terça-feira, 29 de março de 2011

Ponto da situação


Enquanto não surge a oportunidade de fazer um post 'como deve ser' fica aqui o ponto da situação em relação ao orfanato:


Recebi até agora donativos de cinco pessoas mas a soma está ainda aquém de possibilitar às crianças o regresso à mesma escola e, a seu tempo, explicarei todos os porquês. Temos as próximas semanas para resolver toda a situação pelo que, encarecidamente, peço àqueles que me manifestaram (ou ainda não) o desejo de ajudar que o façam assim que possam. A todos procurarei agradecer individualmente e, de alguma forma, prestar-lhes 'singela homenagem'.


Sei de tudo o que se vai passando em Portugal onde a vida está cada vez mais difícil. O que torna o vosso contributo ainda mais significativo. Uma coisa é certa: Portugal não ficará conhecido nestas paragens do Nepal apenas, quando o é, pelo futebol. Nos corações destas crianças será recordado para sempre. Obrigada a todos! Mesmo, mesmo.


Fotos do reencontro com os miúdos

quinta-feira, 17 de março de 2011

Missão: Orfanato

Estou de regresso ao Nepal. Decididamente em missão.
Acaba de nascer o Lya Project!

Encontro o Orfanato em apuros. Procuro uma forma de ajudar e dou-lhe este nome. Ainda não conheço bem os seus contornos e não tenho qualquer experiência no fabrico de projetos deste género. Conto com apoios, ideias ou sugestões vossas. E com a vossa ajuda. Para já é isso que estou agora aqui a fazer. A pedir a vossa ajuda! Não o faria se não fosse por estas crianças que já vos dei a conhecer nos posts do orfanato. Podem sempre vê-las ou revê-las clicando nas etiquetas à direita.
Um novo ano escolar vai começar dentro de um mês. Não há dinheiro para manter as crianças na escola. É uma escola com boa reputação que assegura às crianças uma educação de qualidade, com o ensino da língua inglesa desde cedo. Uma forma de lhes abrir mais portas no futuro. Há encargos, inscrições a pagar desde já. Fui saber os custos da propina mensal que varia com o nível escolar frequentado pelas crianças. O total está em rupias nepalesas. Assim:
Mês / Ano
- Joseph Gurung; Rs 1600x12= 19200
- Alisha Gurung; Rs. 1300x12= 15600
- Jasmine Gurung; Rs. 1100x12= 13200
- Binkashi Gurung; Rs. 1000x12= 12000
- Jeevan Thapa; Rs. 1000x12= 12000
- Rabin Chhetri; Rs. 650x12= 7800
- Bishal Dobar; Rs. 650x12= 7800
- Raju Chhetri; Rs. 650x12= 7800
- Ruth Lama; Rs. 650x12= 7800
- Raju Gurung; Rs. 650x12= 7800
Para além disso a escola cobra outras despesas em separado e não estão aqui contemplados livros, material escolar, uniformes... Se conseguir algo, gostaria de entregar o dinheiro diretamente na escola. Ter a certeza que é para lá que vai.
É perante a situação que encontro que resolvi ultrapassar a minha relutância em fazê-lo, já que nunca o fiz na vida, e deixar aqui o meu apelo. À vossa ajuda, por mínima que seja! Sei bem que todos atravessamos momentos economicamente mais difíceis. Mas também sei que aqui se fazem ‘milagres’ na vida das pessoas com o que para nós não é assim tanto. E eu não tenho presentemente condições para ajudar sozinha.
A desejarem contribuir, indicarei os dados da conta em Portugal. As transferências são caras para o Nepal, não há IBAN, e se cada um for a fazê-lo individualmente o dinheiro vai-se todo só em taxas. Há que juntá-lo e pagar a taxa uma só vez, se possível. Se o fizerem por favor enviem-me um email a informar-me da quantia que depositam pois não tenho forma de saber online quem fez a transferência. Arranjarei uma forma de vos agradecer e dar conta da sequência do donativo.


Informem-me também se por ventura alguém quiser apadrinhar uma criança.

Bem hajam! Mesmo.
Outras voluntárias que lá conheci: a Kate, a Trina e a Alex.
"Hi, my name is Alex and I'm from England. I met Lya whilst spending just over 3 months volunteering at Everest Children's Home from August to December 2011. From the moment the children came running up the steps to the home after school on my first day shouting 'Auntie, Auntie, Auntie' and breathlessly introducing themselves I felt immediately at home and very welcome. Celebrating my birthday here was a very special experience. It was also nice to spend time with Jyoti and help her with the cooking and learn how to make Nepali dishes. She is a very good cook. I also helped her with the washing and the cleaning as there is a lot of work. The children love the attention you give them whether it's sitting on your lap reading stories or playing games with you. I also helped them with their homework and gave them extra help when needed. They are very loving and good fun to work with and I miss their smiles and enthusiasm. They are so loving and keen to learn. Their English is really good too but without financial help from you they will no longer be able to attend their school, 'Shining star boarding school' and their futures will no longer be bright."

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Epílogo da viagem

A vida prega-nos partidas. Desapegamo-nos do material, libertamo-nos do supérfluo, tornamo-nos mais leves. Mas ela… Zás! Teima em limar-nos. Suga-nos o sangue. Reserva-nos muito mais!

Três intervenções cirúrgicas, todas no ano passado. A terceira, completamente inesperada, era já demais! Como se não chegassem os estardalhaços interiores ou o desalento profissional, vêm golpear-nos o corpo. Mais uma longa e ansiosa recuperação.



Derramava a última gota de energia. E agarrei-me àquilo que a poderia restituir… À viagem! Porque é nestes momentos que os sonhos nos salvam. Como quem se agarra a uma bóia, entreguei-me e deixei-me ir. Confiei que me levaria a bom porto. E levou. Sempre.
Lugares, pessoas, experiências. Independente.
Incógnita e abençoada.

De momento vivo com pouco mas, enquanto posso, prefiro isso do que trabalhar p’ró boneco! E se alguma falta sinto do dinheiro é por saber os quantos mais poderia ajudar noutras paragens. Onde o nosso pouco se multiplica.


Avento um conselho a quem me possa ler:

Não seja o medo ou a falta de coragem a impedir-vos de dar asas aos sonhos! Ponham em prática aquilo que vos espicaça a alma e que constantemente adiam por conformismo!


Voltei para a quarta. Remoção da ‘artilharia pesada’ do braço.
Alimento outro sonho. Fica para depois da recuperação.
Viajar de novo. Desta vez com destino marcado: Nepal.

Desejo óptimas viagens a todos!
Quem sabe não nos cruzaremos por aí…


- xxx -

Entretanto vou actualizar o blog das minhas viagens anteriores relatadas aqui:

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Despedidas

Os últimos dias no Nepal foram vividos de forma intensa.
Em Pokhara fui-me despedindo dos espaços, cheiros e sabores,
mesmo do outro lado do rio,
em almoços e jantares com amigos,
sem descurar a apetitosa comida de rua, 'pani puri' a minha favorita.
Ainda conheci a Lonnie, uma americana que me contactou através do CS, e com ela despedi-me dos amigos do restaurante Shiva e do Shiva himself.
Despedi-me dos jantares e das brincadeiras no meu hotel
bem como da criançada que por lá irrompe
cada uma ao seu estilo.
Despedi-me da Saru, da Mira e da sobrinha,
dos nossos passeios de scooter,
das idas à cidade faça sol ou faça chuva,
e da festa!
Das nossas aulas de dança nepalesa e das noites do 'Dohori', música tradicional.
Do lago
e dos passeios a qualquer hora do dia.
E com a Sunita despedi-me do templo no meio do lago.
Despedi-me dos amigos de Hallan Chowk,
do Devi e da internet,
das aulas de pintura e de nepalês,
da família do parapente, da Hellen e do Khim
e do restante pessoal do hotel em Pokhara.
Da casa, da família e das crianças em Chitwan.
E dos putos do orfanato.
Despedi-me dos engarrafamentos de trânsito nas estradas e do trânsito nas ruas de Kathmandu,
da 'skyline' da cidade e da Chitra que me acompanhou na viagem de avião.
Foram cinco meses a viajar e outros cinco só no Nepal, o tempo máximo de permanência permitido ao turista neste país. O passaporte está cheio. E outros 'deveres' se levantam...
Pheri bethaula, Nepal!
É o regresso a Portugal.