Este blog surgiu em 2009 com o intuito de relatar uma "Viagem Incógnita" que teve início com um bilhete só de ida para a Tailândia. Uma viagem independente, sem planos, a solo, que duraria quatro anos. Pelo meio surgiu um projeto com crianças carenciadas do Nepal que viria a resultar na criação da Associação Humanity Himalayan Mountains. Assim, este blog é agora dedicado a esta outra "viagem", de horizontes longínquos, no Nepal.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Últimas do orfanato

Celebrou-se no passado dia 14 de abril o novo ano nepalês. Estamos no ano 2068. O ‘nosso’ mês de abril (aqui têm outras contagens e designações) corresponde aqui sensivelmente às férias escolares que agora findam. Fazem-se balanços, preparativos.
Eu vi-me metida em assuntos de polícia por causa do tal falso website. Uma experiência que não me apetece repetir.
Visitei várias vezes os miúdos no orfanato, saímos para caminhadas e brincadeiras junto ao lago, vieram lanchar ao meu hotel.
Quando cheguei este ano fui informada de que um dos rapazes tinha desaparecido. Ou alguém o foi buscar à escola ou voltou à vida de rua. Em vez dele encontrei cá o pequeno ‘Filémon’, alcunha que lhe foi atribuída para se distinguir do homónimo Raju já existente. Logo depois chegou o Santosh e entretanto a Santy e o Lajras. São agora treze crianças. O orfanato tem dificuldades mas não consegue resistir aos pedidos insistentes de familiares ou conhecidos para acolher estes miúdos que, de outro modo, viveriam praticamente abandonados.
Foi também tempo de preparar a tal ‘singela homenagem’. Não quero entrar em pormenores, respeito a discrição que muitos me pediram. Mas espero que cada um dos que anuíram ao meu pedido de ajuda se reconheça nas imagens. Uma forma de vos ‘trazer’ até aqui.
Mesmo os mais novos fizeram questão de participar. Penso que Portugal ficará positivamente gravado nas suas memórias.
Tratam-se de amigos meus e amigos do meu irmão. Pessoas que de alguma forma eu conheço. Já nem menciono os meus pais, os meus pilares continuamente presentes. A única pessoa que desconheço é a Rita B. que aqui refiro em especial por não ter qualquer contacto para lhe agradecer de outro modo.
Que as fotos modestamente expressem o nosso sentido obrigado.
Ontem mesmo fui buscá-los ao orfanato e acompanhei-os à escola. Foi o primeiro dia de aulas do novo ano escolar.
As crianças passavam ordeiramente pelos portões do estabelecimento e dispunham-se em filas para os habituais exercícios e rituais matinais antes de entrarem nas salas de aula.
Na presença da Jyoti falei novamente com o diretor e o vice-diretor desta escola. Como no Nepal tudo se negoceia, fizeram um substancial desconto na dívida que deu para pagar este primeiro mês do novo ano escolar.
Estas são, pois, notícias frescas. Estive só à espera da luz para as publicar. Mas tenho ainda algo a dizer: O dinheiro que enviaram ‘esticou’ e deu para mais. Os meus dias continuam cheios e azafamados. Tenho andado, literalmente, a repartir não o mal mas o bem, pelas aldeias.
Mais novidades em breve.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Donativos

Infelizmente há quem se aproveite dos orfanatos. Infelizmente muitas vezes são estrangeiros que tiram partido de conhecimentos tecnológicos e outros que os nepaleses, na maioria das vezes, não têm. Tentei ser criteriosa quando escolhi este orfanato o ano passado. Sabia que era apenas gerido por nepaleses que trabalham em regime de voluntariado e que era dos mais necessitados.
Em 2009 uma voluntária australiana trabalhou aqui 3 meses. Teve, ao que parece, o tempo e a oportunidade de ‘magicar’ um plano. Associou-se com parceiros nepaleses, ‘pegou’ nalgumas crianças que até têm pais, construiu um website e montou o negócio. Eu descobri este website o ano passado mas levei algum tempo a compreender toda a situação e quem dela tirava partido. Só agora as coisas ficaram completamente esclarecidas. Foram conversas com o diretor da escola e reuniões com os membros do comité de direção do orfanato. E investiguei.
Essa voluntária comprometeu-se a angariar fundos para pagar as despesas escolares das crianças em 2010. Pagou apenas os primeiros 3 meses. A dívida do orfanato em relação ao ano passado ronda os 700 euros. E enquanto não for paga os miúdos não poderão voltar a frequentar esta mesma escola.
O tal website continua ativo. Tem o nome deste orfanato e as fotos destas crianças. O negócio deve estar a correr bem porque além de um hotel compraram um autocarro. Telefonei para lá fazendo-me passar por voluntária. Sabemos agora de quem se tratam estas pessoas e onde estão. Estamos a tentar, junto das autoridades competentes, empreender todos os esforços para que este falso website seja retirado da web. Ir-vos-ei dando notícias na medida do possível e tendo em conta que presentemente no Nepal os cortes de energia são diários e por mais de dez horas (E já é uma sorte quando não são simultâneos com a falta de água…)
Apenas difere do atual e verdadeiro website, que aqui deixei anteriormente, na terminação (.com em vez de .org). A Mina, uma voluntária nepalesa, está a construí-lo aos poucos à medida que vai estudando o assunto no curso que frequenta. Lamento não poder ajudá-la mas também não sei fazer websites. Fico-me pelo blog.
Quando o abrimos aparece agora uma ´página de despiste’ dizendo que está em construção. Mas clicando em ‘News’ aparece toda a anterior informação que eu descobrira e onde deixei um comentário. A partir daí acedemos às páginas onde os voluntários se inscrevem e àquelas em que se pedem donativos, avultados, para as propinas escolares das crianças e até para pagar salários de tutores que não existem. E é sempre este website que aparece em primeiro plano quando fazemos a busca ‘Everest Children Home’.
Para as despesas do dia a dia o orfanato vai contando com a ajuda de voluntários. Quando cheguei estava cá a Charlotte, inglesa, e entretanto chegou o Alexandro, holandês. Também há quem apareça, através de voluntários que passam palavra, simplesmente para oferecer alguma comida. Ou que lá levo, como foi o caso da Tone, norueguesa.
Mas a Jyoti queixa-se que por vezes mal tem dinheiro para comprar o arroz ou variar o ‘tarkari’ (refogado de vegetais) que acompanha o dal bhat. E quando a Jyoti se queixa eu acredito.
Acredito também que quando aceitamos navegar o fluxo mágico da vida, ele nos leva aos portos certos. Onde nos esperam as pessoas certas. A minha viagem há muito que deixou de ser incógnita. Foi aqui que ela me trouxe. Estou onde devo estar. E os meus dias são plenos, intensos. Grandes.
O fluxo mágico trouxe-me, o ano passado, a Wildes, uma brasileira que vive em Pokhara. Através dela veio agora o Francis, francês. Juntos visitámos o afilhado que ele apadrinha desde os cinco anos. Foi a primeira vez que se viram. E nós só nos vimos uma vez. Todos juntos visitámos em seguida ‘o meu’ orfanato. O Francis contribuiu na hora.
A minha meta, primordial e urgente, era conseguir o dinheiro para pagar a dívida da escola. Possibilitar que as crianças a continuem a frequentar. Depois logo se vê. Seguimos em frente confiando. Que os risos e a alegria contagiante destas crianças nos tragam os meios e o engenho para navegar obstáculos. Meus amigos, tenho isto para vos dizer:
Esta meta foi atingida!
Também nós nos cruzámos nesse fluxo, nalgum momento, nalgum lugar, de algum modo, por alguma razão. Que bom saber-vos, aí ou aqui. Não importa. Podem estar longe mas senti-vos perto. Porque não há distância na dimensão que nos une.
A todos quantos até aqui me ajudaram a ajudar, um xi-coração do tamanho dos Himalaias. Namastê!

terça-feira, 29 de março de 2011

Ponto da situação


Enquanto não surge a oportunidade de fazer um post 'como deve ser' fica aqui o ponto da situação em relação ao orfanato:


Recebi até agora donativos de cinco pessoas mas a soma está ainda aquém de possibilitar às crianças o regresso à mesma escola e, a seu tempo, explicarei todos os porquês. Temos as próximas semanas para resolver toda a situação pelo que, encarecidamente, peço àqueles que me manifestaram (ou ainda não) o desejo de ajudar que o façam assim que possam. A todos procurarei agradecer individualmente e, de alguma forma, prestar-lhes 'singela homenagem'.


Sei de tudo o que se vai passando em Portugal onde a vida está cada vez mais difícil. O que torna o vosso contributo ainda mais significativo. Uma coisa é certa: Portugal não ficará conhecido nestas paragens do Nepal apenas, quando o é, pelo futebol. Nos corações destas crianças será recordado para sempre. Obrigada a todos! Mesmo, mesmo.


Fotos do reencontro com os miúdos

quinta-feira, 17 de março de 2011

Missão: Orfanato

Estou de regresso ao Nepal. Decididamente em missão.
Acaba de nascer o Lya Project!

Encontro o Orfanato em apuros. Procuro uma forma de ajudar e dou-lhe este nome. Ainda não conheço bem os seus contornos e não tenho qualquer experiência no fabrico de projetos deste género. Conto com apoios, ideias ou sugestões vossas. E com a vossa ajuda. Para já é isso que estou agora aqui a fazer. A pedir a vossa ajuda! Não o faria se não fosse por estas crianças que já vos dei a conhecer nos posts do orfanato. Podem sempre vê-las ou revê-las clicando nas etiquetas à direita.
Um novo ano escolar vai começar dentro de um mês. Não há dinheiro para manter as crianças na escola. É uma escola com boa reputação que assegura às crianças uma educação de qualidade, com o ensino da língua inglesa desde cedo. Uma forma de lhes abrir mais portas no futuro. Há encargos, inscrições a pagar desde já. Fui saber os custos da propina mensal que varia com o nível escolar frequentado pelas crianças. O total está em rupias nepalesas. Assim:
Mês / Ano
- Joseph Gurung; Rs 1600x12= 19200
- Alisha Gurung; Rs. 1300x12= 15600
- Jasmine Gurung; Rs. 1100x12= 13200
- Binkashi Gurung; Rs. 1000x12= 12000
- Jeevan Thapa; Rs. 1000x12= 12000
- Rabin Chhetri; Rs. 650x12= 7800
- Bishal Dobar; Rs. 650x12= 7800
- Raju Chhetri; Rs. 650x12= 7800
- Ruth Lama; Rs. 650x12= 7800
- Raju Gurung; Rs. 650x12= 7800
Para além disso a escola cobra outras despesas em separado e não estão aqui contemplados livros, material escolar, uniformes... Se conseguir algo, gostaria de entregar o dinheiro diretamente na escola. Ter a certeza que é para lá que vai.
É perante a situação que encontro que resolvi ultrapassar a minha relutância em fazê-lo, já que nunca o fiz na vida, e deixar aqui o meu apelo. À vossa ajuda, por mínima que seja! Sei bem que todos atravessamos momentos economicamente mais difíceis. Mas também sei que aqui se fazem ‘milagres’ na vida das pessoas com o que para nós não é assim tanto. E eu não tenho presentemente condições para ajudar sozinha.
A desejarem contribuir, indicarei os dados da conta em Portugal. As transferências são caras para o Nepal, não há IBAN, e se cada um for a fazê-lo individualmente o dinheiro vai-se todo só em taxas. Há que juntá-lo e pagar a taxa uma só vez, se possível. Se o fizerem por favor enviem-me um email a informar-me da quantia que depositam pois não tenho forma de saber online quem fez a transferência. Arranjarei uma forma de vos agradecer e dar conta da sequência do donativo.


Informem-me também se por ventura alguém quiser apadrinhar uma criança.

Bem hajam! Mesmo.
Outras voluntárias que lá conheci: a Kate, a Trina e a Alex.
"Hi, my name is Alex and I'm from England. I met Lya whilst spending just over 3 months volunteering at Everest Children's Home from August to December 2011. From the moment the children came running up the steps to the home after school on my first day shouting 'Auntie, Auntie, Auntie' and breathlessly introducing themselves I felt immediately at home and very welcome. Celebrating my birthday here was a very special experience. It was also nice to spend time with Jyoti and help her with the cooking and learn how to make Nepali dishes. She is a very good cook. I also helped her with the washing and the cleaning as there is a lot of work. The children love the attention you give them whether it's sitting on your lap reading stories or playing games with you. I also helped them with their homework and gave them extra help when needed. They are very loving and good fun to work with and I miss their smiles and enthusiasm. They are so loving and keen to learn. Their English is really good too but without financial help from you they will no longer be able to attend their school, 'Shining star boarding school' and their futures will no longer be bright."