Este blog surgiu em 2009 com o intuito de relatar uma "Viagem Incógnita" que teve início com um bilhete só de ida para a Tailândia. Uma viagem independente, sem planos, a solo, que duraria quatro anos. Pelo meio surgiu um projeto com crianças carenciadas do Nepal que viria a resultar na criação da Associação Humanity Himalayan Mountains. Assim, este blog é agora dedicado a esta outra "viagem", de horizontes longínquos, no Nepal.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Chiang Mai

No comboio travei conhecimento com o vizinho do beliche do lado oposto, um jovem canadiano do Québec. Ficámos na mesma Guest House em Chiang Mai e visitámos juntos a cidade.



Chiang Mai é a segunda maior cidade da Tailândia, situada 800 km a norte de Bangkok, numa região montanhosa. A cidade é banhada pelo rio Ping, afluente do Chao Phraya. A força histórica provém-lhe de ter uma importante situação estratégica na rota da seda, sendo hoje um grande centro de artesanato e ourivesaria.


A cidade tem mais de trezentos templos budistas, chamados localmente wats.















 
O rei é muito respeitado na Tailândia por ser seguidor e defender o budismo.

Almoçámos numa agradável esplanada e, à noite, encontrei-me com o Martijn, holandês, que tal como a Sheila e outros, me contactou através do CS.


domingo, 13 de dezembro de 2009

Ayutthaya

Cheguei a Bangkok no dia 11 de Dezembro, já noite, no meio de grande confusão devido aos festejos do aniversario do rei. Foguetes, barulho e muita gente nas ruas. Regresso ao 'mundo real'... Há que manter a calma! No dia seguinte decidi apanhar o comboio e fazer uma paragem em Ayutthaya, 80 quilometros ao norte de Bangkok.

Sentei-me ao pé de uma tailandesa que, ao contrario do que é habitual, falava um pouco de ingles. Deu para comunicarmos. Fizemos amizade. Ela sairia na estação seguinte mas decidiu ficar comigo em Ayutthaya para 'tomar conta de mim', já me chamava de 'sister'... Fora dos meandros turisticos revela-se a bondade do povo tailandes. É professora primaria e tambem faz produtos cosmeticos naturais. De tuk-tuk percorremos os varios templos da cidade.

A cidade foi fundada em 1350 pelo rei U-Thong que a transformou na capital do seu reino, também conhecido como Sião, e que perdurou até à invasão birmanesa em 1767. O Reino do Sião foi fundado pelo povo Tai que, expulso do sudoeste da China, se instalou na região e adoptou o budismo como religião.

Ayutthaya estabeleceu relações amigáveis com negociantes estrangeiros, incluindo os chineses Han, vietnamitas annam, indianos, japoneses e persas e, mais tarde, com os portugueses, espanhóis, holandeses e franceses, permitindo-lhes construir povoações no exterior dos muros da cidade.
A cidade está localizada no encontro dos rios Chao Phraya, Lopburi e Pa Sak e a cidade antiga sobre uma península formada por uma curva do rio Chao Phraya.

No século XVI Ayutthaya era descrita por mercadores estrangeiros como uma das maiores e mais ricas cidades do Oriente. Fernão Mendes Pinto chamou-lhe a “Veneza do Oriente”.
A comunidade portuguesa, que tinha como edifícios axiais o templo dominicano, a igreja franciscana e o seminário-templo dos Jesuítas, teve um papel importantíssimo na luta contra os invasores birmaneses.
O fundador da dinastia Konbaung na Birmânia, Alaungpaya, conhecido pelos métodos brutais de aniquilamento dos estados vizinhos, invadiu o Sião em 1760 e foi detido, já às portas de Ayutthaya, precisamente no Bandel Português. A oposição que encontraram foi tão forte, as perdas dos atacantes tão grandes, que Alaungpaya deu instruções de retirada.

Em 1765, um imenso exército birmanês, agora comandado por Hsinbyushin, filho de Alaungpaya, invadiu de novo o Sião disposto a reduzir a pó a sua capital.
O Ban Protukét resistiu durante seis meses até que, sem víveres e sem munições, os portugueses aceitaram depor armas.
As ruínas da antiga cidade hoje fazem parte da Cidade Histórica de Ayutthaya que é reconhecida pela UNESCO como Património da Humanidade.

À tardinha, eu e a Noi jantámos no mercado e, cerca das 21h30, apanhei novamente o comboio para seguir para Chiang Mai. Já tinha o bilhete com beliche incluído para passar a noite pois a viagem seria longa.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Retiro budista

O autocarro deixou-me mesmo em frente ao mosteiro de Suan Mokkh, cerca das 7h da manhã. Já lá estavam outras pessoas para fazer o retiro, algumas dormiram no próprio mosteiro na noite anterior.

Dirigimo-nos para o Dhamma Hermitage Center, ali perto, onde iria decorrer o retiro com início no dia 1 de Dezembro. Foi fundado pelo monge Ajahn Buddhadasa, natural de Chaiya.

Budismo Theravada, meditação vipassana, anapanasati, "mindfulness with breathing". Seriam 10 dias de retiro em completo silêncio, sem qualquer comunicação com o exterior e em harmonia com a natureza. Tudo o que eu precisava dadas as circunstâncias. Aliás, fiz a viagem tendo em conta o início deste retiro que descobri na internet. Pagamos uma contribuição de cerca de 40 euros pelos 10 dias com tudo incluído.
Éramos cerca de 100 pessoas, de todas as idades, mas a maioria jovens. Os dormitórios de homens e mulheres separados e os quartos tipo celas.

A cama de cimento, apenas com uma esteira, e a almofada de madeira. Cada um tinha ainda uma manta e uma rede de mosquitos. Tudo conducente a uma forma de viver simples que se revela na comida (vegetariana e deliciosa) e no alojamento para ajudar a aquietar a mente. Alguns preceitos: Não prejudicar, não abusar, cultivar a humildade e a compaixão; abster-se de matar seres vivos, não apropriar-se do que não é dado, abster-se de conversa falsa...
Num ambiente tranquilo e maravilhoso. Os sons eram os da natureza, sons de animais, aves que nunca ouvira. Tudo inspirava e conduzia à meditação.



Rotina diária: Acordar as 4h00!!; 4h30: leitura do dia; 4h45: meditação sentada, em grupo; 5h15: yoga; 7h00: meditação em grupo; 8h00: pequeno almoço; 10h00: ensinamentos do Dhamma (normalmente dados por um monge britânico); 11h00: meditação em movimento; 11h45: meditação sentada, em grupo; 12h30: almoço e coros (reflexão sobre a comida); 14h30: ensinamentos; 15h30: meditação em movimento; 16h15: meditação em grupo; 17h00: cânticos em páli; 18h00: chá ou leite e tempo livre para as hot springs (lago de águas quentes naturais); 19h30: meditação em grupo; 20h00: meditação a andar, em grupo (com bom tempo era à volta do lago redondo, à luz das velas, sob o céu estrelado); 20h30: meditação em grupo; 21h00: descansar o corpo e a mente; às 21h00 extinguiam-se as luzes.


Cada um desempenhava ainda uma tarefa no tempo livre: limpar o refeitório, varrer os caminhos, apanhar as folhas, limpar as casas de banho, acender as velas... Na maioria do tempo andávamos descalços.


O retiro não é fácil mas assentou-me bem. Não atingi a iluminação mas quando uma pessoa cai e se parte aos bocados há que voltar a juntar as peças e recuperar o equilíbrio e a energia.

A extraordinária monja Aree fez-me a entrevista inicial e mostrou-se totalmente compreensiva. Aliás, ao falar com ela percebi melhor porque tive um apelo tão grande em vir aqui. Eu já havia começado a limpeza exterior, material, havia que fazer a interior, emocional... Varrer o lixo! Just let go!
Amizades feitas no silêncio.


No dia 11 voltámos a acordar às 4h00. Depois da meditação e do discurso de despedida, tiraram-se as fotos após a distribuição do nosso equipamento electrónico que havia sido recolhido no início do retiro. Cerca das 8h00 foi servido o pequeno almoço no mosteiro de Suan Mokkh. Despedidas.

Fui numa carrinha para Chaiya onde, às 11h00, apanhei o comboio de regresso a Bangkok com outros participantes do retiro.