Este blog surgiu em 2009 com o intuito de relatar uma "Viagem Incógnita" que teve início com um bilhete só de ida para a Tailândia. Uma viagem independente, sem planos, a solo, que duraria quatro anos. Pelo meio surgiu um projeto com crianças carenciadas do Nepal que viria a resultar na criação da Associação Humanity Himalayan Mountains. Assim, este blog é agora dedicado a esta outra "viagem", de horizontes longínquos, no Nepal.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Vang Vieng

Logo pela manha, do primeiro dia de 2010, apanhei a mini-van para Vang Vieng. Apenas eu e um jovem casal que visitou os Jarros no mesmo grupo.



Atraves dos vidros, iamos apreciando os habitos das pessoas que vivem naquelas montanhas.



Almoçamos no caminho e, a medida que nos aproximavamos de Vang Vieng, iam surgindo as falesias escarpadas.



Apanhamos juntos um tuk-tuk para o centro da vila e eles seguiram para la do rio, para uma guesthouse que nos tinha sido recomendada por um belga que tambem visitou os Jarros connosco. Mas eu tambem sabia que esse lado se tornava escuro para regressar a casa e eu precisava de usar a net...


Hospedei-me numa guesthouse 'organica', num quarto amplo e confortavel, por 60.000 kip, cerca de 5 euros (e seria o mesmo preço se fossem duas pessoas)...



Com esta vista:


Mas aqui tudo tem vista...



... como, por exemplo, o pequeno-almoço.



Atravessei a ponte e fui visitar a gruta Tham Jang...




Com esta vista:


E, em baixo, um riacho de aguas limpidas onde se pode tomar banho.


Vang Vieng é, para muitos, local de diversão. Aqui pode fazer-se caiaque, tubing, trekking, escalada... E muita festa.

Para mim foi local de relax.




Instalei-me neste restaurante, comi bem

e ali fiquei a apreciar a vida...

... nas margens do rio...



... ou que, lentamente, desce o rio...


... atravessa a ponte...

... ou o proprio rio.

Ha imensos bungalows junto ao rio.






O rio Nam Song.



Tambem ha muitas vacas a passear...

... e pontes de bamboo e madeira para atravessar.







A noite, encomendei uma 'banana pancake'...

... e sentei-me num cafe com wifi para usar a minha PDA.
E depois de mais uma massagem, desta vez, pés e pernas, regressei a casa com a lua.


Não esquecer de deixar os sapatos à porta, nas casas entramos sempre descalços.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A Planície dos Jarros

Dispenso muitas das actividades que por todo o lado se oferecem aos turistas porque algumas, como por exemplo andar de elefante, já as experimentei. Em contrapartida há sítios que, para mim, são de visita obrigatória. Phonsavan, no Laos, era um deles.
Não conheci ninguém em Luang Prabang que lá quisesse ir ou que tivesse ouvido falar do local. Uma vez mais pensei que só eu tinha esta ideia de ir passar o Fim do Ano a sítio tão longínquo. Mas não. Lá iam mais oito pessoas na mini-van...


Seguimos por uma estrada de montanha, agora já pavimentada. Sei que, até há pouco tempo, os acessos eram bem mais dificultados para aquela zona. Fosse como fosse eu tinha que lá ir.


Instalei-me numa Guesthouse onde tambem não era a única mas, de modo geral, todos pensavam ir passar a Passagem de Ano a outro lado. Eu já tinha planeado ficar e não fazia questão de grande festa.

Tudo nesta província de Xieng Khouang, desde a decoração das casas por exemplo, faz lembrar a guerra. Foi a região mais severamente atingida na Guerra da Indochina.
Na guesthouse vi o documentário 'Bombies' sobre esta guerra que continua a afectar os habitantes do Laos pois os campos estão cheios de UXO, bombas por explodir. As pessoas que trabalham nos campos ou as crianças são os mais atingidos...



Mas aos anos que eu recolhia artigos sobre a Planície dos Jarros! Desconhece-se a origem destes enigmáticos jarros de granito escavados, alguns com três metros. Na zona há vários sítios arqueológicos, mais de 50, com imensos jarros cada. Seriam urnas? Para armazenamento de líquidos? Não se sabe. Pensa-se que terão uns 2500 anos. Gosto de visitar lugares misteriosos...



Sete desses sítios foram limpos de UXO para poderem ser visitados. No entanto, não é aconselhável sair dos trilhos e é melhor ir com um guia.


A desminagem é lenta pois são mais de 120 tipos diferentes de bombas e estima-se que serão necessários mais de 100 anos para a completa limpeza do país.
Por todo o lado vêem-se crateras cavadas pelas bombas e trincheiras utilizadas na época.
Muitas pessoas refugiaram-se em cavernas durante os longos anos em que os EUA bombardearam a zona. Dois milhões de toneladas de bombas. Mesmo assim mais de 300 pessoas morreram de uma só vez quando um míssil atingiu uma das grutas.
O 'curioso' é que o Laos nem estava directamente envolvido na guerra que ficou conhecida como a Guerra Secreta.


Lendas dizem que os jarros eram usados por uma raça de gigantes que habitava o local. Outros alegam que os jarros foram feitos por um rei para armazenar bebidas alcoólicas feitas de arroz que eram usadas em comemorações.


Tanque russo que era conduzido por um vietnamita.
Visita a uma 'destilaria' em que se produz o whisky de arroz feito por esta senhora, o lao-lao.
Quando a visita com o grupo terminou, o guia, o Vang, transformou-se em motorista e levou-me, de mota, a uma aldeia da tribo Hmong, a que ele próprio pertence. Ele fixou-se há dois anos em Phonsavan com a família e aprendeu o inglês.

Ao contrário da Tailândia, no Laos conduz-se 'à nossa moda', ou seja, à direita.



A água é transportada em baldes.

Aqui o curioso é como as pessoas aproveitam os restos das bombas. Para plantação de cebolas...
Para os pilares das casas, para vedações, para fazer facas...

Mercado Hmong
À noite, na guesthouse, já só estava eu e o Gary, o inglês que vive há quatro anos no Vietnam. Fomos jantar ao restaurante indiano e depois fomos, na moto dele, procurar um bar aberto onde se pudesse brindar ao Novo Ano. Regressámos a meia-noite. Pessoas celebravam nas ruas, havia música e foguetes no ar.



De modo que passei assim o Fim do Ano. A andar de mota.

Sabai-dee, 2010!