O rio Sado é um rio português, que nasce a 230m de altitude, na Serra da Vigia em Ourique e percorre as planícies alentejanas ao longo de 180 quilómetros até desaguar no oceano Atlântico perto de Setúbal. Com uma orientação pouco vulgar em Portugal, o Sado corre de sul para norte.
Alcácer do Sal é uma das localidades banhadas por este rio. Esta localidade, elevada a cidade a 12 de Julho de 1997, é uma das mais antigas da Europa, por onde passaram gregos, fenícios e outros povos da bacia do Mediterrâneo. O seu nome romano foi Salacia Urbs Imperatoria e a sua grande importância na rede do Império deve-se à sua situação ímpar junto ao rio Sado que facilitava o escoamento dos produtos das terras do interior, como trigo, azeite e vinho, para outros locais ocupados por Roma. Alcácer era uma das cidades de porto interior mais importantes do Ocidente peninsular e conhecida pela extração de sal e pelas indústrias derivadas de salga e pasta de peixe.
Mais tarde, foi invadida pelos árabes que reforçaram a antiga fortificação ficando a cidade protegida com duas cercas cujos muros, coroados por 30 torres, formavam um dos maiores bastiões de defesa da Península Ibérica. Em 1217, no reinado de D. Afonso II, a cidade foi definitivamente conquistada com o auxílio dos Cruzados que aqui aportaram a caminho da Síria e da Terra Santa e foi entregue ao governo da Ordem Militar de Santiago, que aqui se sediou.
De jusante de Alcácer do Sal até à foz desenvolve-se um largo estuário separado do oceano pela península de Troia. O Estuário do Sado, classificado como Reserva Natural há mais de 30 anos, é constituído por uma sucessão de rio e de mar, de bancos de areia e de vasa, sapais e lagoas de água doce, matagais e floresta, áreas agrícolas e pastagens, praias e dunas. Trata-se de um ecossistema diversificado, habitat de plantas e animais dos quais se destaca uma rara comunidade de golfinhos roazes-corvineiros, assim designados pelos pescadores por lhes roerem as redes de pesca e se alimentarem principalmente de corvinas.
Esta área protegida inclui as salinas, hoje desativadas, mas que ao longo dos séculos tiveram grande importância económica, dado que o sal era a única forma de conservar a comida. Já os romanos tinham estabelecido nesta região o que seria à altura o maior centro hispânico de salga de peixe, de que as ruínas de Tróia são o exemplo mais evidente. Note-se que a palavra ‘salário’ vem do facto de os soldados romanos serem pagos em sal.
Numa zona de sapal, salinas e de antigos arrozais do estuário do Sado, situa-se o Moinho de Maré da Mourisca, um moinho secular (uma inscrição em pedra no interior mostra a data de 1601) que testemunha a engenhosidade humana na adaptação das forças naturais em benefício próprio. O Moinho foi recuperado, nele funcionando actualmente um Ecomuseu — Centro de Educação Ambiental. Este Centro, para além de uma exposição permanente sobre a reserva, apresenta informação sobre as atividades tradicionais ligadas à moagem, ao fabrico do pão e ao sal e inclui uma sala de audiovisuais.
Com caminhos e pequenas estradas que serpenteiam pela paisagem estuarina e seus esteiros (braços de mar ou de rio que se estendem pela terra dentro), a zona das Salinas da Mourisca é ideal para os amantes da natureza e da observação de aves onde se destacam flamingos, cegonhas-brancas, águias-sapeiras, pernilongos, alfaiates, gaivotas, maçaricos e borrelhos.
Perto do estuário, realizamos um passeio turístico que permite conhecer a tradição do processo produtivo do vinho da região do Sado. A Rota das Vinhas do Pó é um programa de Enoturismo que pode ser levado a cabo de comboio desde a Estação do Oriente em Lisboa até ao apeadeiro de Fernando Pó, ou por deslocação em transporte próprio do visitante.
A opção "By Road", que escolhemos, com o custo de 39,50€ por pessoa, inclui visita guiada à adega e à vinha na Filipe Palhoça Vinhos, com prova de Moscatel de Setúbal; visita guiada à Fernão Pó Adega, com prova de vinhos e degustação de tábua de queijo e compotas; almoço típico com Sopa Caramela na Casa Ermelinda Freitas com prova de vinhos e visita guiada à adega centenária e ao seu Núcleo Museológico.
Trata-se de uma experiência para saborear, apreciar e sentir o pulsar do mundo rural em Fernando Pó, no concelho de Palmela, o coração da Aldeia Vinhateira, onde a paisagem é dominada por fileiras de videiras que se estendem por planícies arenosas. A zona é famosa pela produção de vinhos de qualidade graças a um microclima especial, onde os rios Tejo e Sado ajudam a manter as uvas em perfeitas condições para amadurecer.
As origens da Sopa Caramela remontam a finais do século XVIII e meados do século XIX, encontrando-se intimamente relacionada com os movimentos migratórios sazonais de trabalhadores rurais assalariados, provenientes das áreas da Beira Litoral e do Baixo Mondego, que se deslocavam para as propriedades agrícolas da região. A estes camponeses que trabalhavam à jorna chamavam, pejorativamente, «caramelos».
A partir da segunda metade do século XIX, por necessidade de mão-de-obra permanente, os jornaleiros "caramelos" fixaram-se na Estremadura e no Vale do Sado e foram-se tornando rendeiros, com propriedades e residência na região, onde introduziram novos hábitos alimentares trazidos dos seus locais de origem. Mercê das dificuldades económicas a que tinham de fazer frente, a alimentação destas populações, embora consistente, baseava-se em sopa feita com os produtos hortícolas que tivessem mais à mão, guarnecidos com enchidos e carne da matança. E assim surge a Sopa Caramela.
Estrategicamente situada na foz do rio Sado, Setúbal prosperou ao longo dos anos no comércio e nas atividades marítimas. A localidade foi visitada por povos fenícios, gregos e cartagineses que vinham em busca de sal e estanho. No período romano era conhecida como Cetóbriga e desenvolveu-se com a instalação de fábricas para salga de peixe e fornos para cerâmica. Durante a ocupação moura tornou-se um porto significativo.
Em 1525, o rei D. João III concedeu-lhe o título de "Vila Notável", reconhecendo a sua crescente importância. Foi elevada a cidade em 1860 por D. Pedro V. E foi ainda no século XIX que ganharam fama tanto as laranjas como o Moscatel de Setúbal e que teve início a laboração das primeiras fábricas de conservas de sardinha em azeite.
Terá sido talvez devido a esta indústria conserveira, impulsionada por operários especializados oriundos de França (que interagiam linguisticamente com os trabalhadores portugueses), que terá surgido o sotaque xarroco (ou charroco), tão peculiar da cidade, em especial da zona do Troino, velho bairro de pescadores, caracterizado pela pronúncia carregada do "r". O nome vem do charroco, peixe de cabeça e boca grandes, comum na região, e que o povo setubalense associou ao linguajar.
Nesta cidade nasceram vultos da cultura portuguesa, como Bocage, poeta do séc. XIX, conhecido pelo tom irónico e crítica social, e Luísa Todi, importante cantora lírica. Por aqui passou também o escritor dinamarquês Hans-Christian Andersen durante a sua visita a Portugal em 1866.
A nível de monumentos merecem especial referência o Convento de Jesus em estilo gótico-manuelino e o Forte de São Filipe que, em posição dominante sobre um outeiro, é um ótimo miradouro sobre a cidade, o rio Sado e o Atlântico, Troia e a Serra da Arrábida. Há também excelentes praias nas proximidades e a península de Troia, na margem oposta, com cerca de 18 kms de areal, é facilmente acessível por ferry-boat.
Igualmente situada no Parque Natural da Arrábida, junto a uma baía abrigada, fica a pitoresca vila piscatória de Sesimbra, a partir da qual podemos embarcar num agradável passeio de barco para desfrutar das belas vistas da impressionante costa rochosa, de praias secretas e do verde deslumbrante da Serra da Arrábida.
Entre outras ofertas, a Aquarama é uma empresa que proporciona passeios turísticos com a particularidade de podermos observar a vida marinha no seu habitat natural através das janelas panorâmicas subaquáticas da embarcação. Um dos pontos altos da visita, que tem a duração de 2 horas e um valor individual de 25€ por adulto, é a famosa Praia do Ribeiro do Cavalo, com areia branca, águas cristalinas e um cenário único. Passeio realizado no início de julho.