Este blog surgiu em 2009 com o intuito de relatar uma "Viagem Incógnita" pela Ásia que teve início com um bilhete só de ida para a Tailândia. Uma viagem independente, sem planos, a solo, que duraria quatro anos a Oriente. Pelo meio surgiu um projeto com crianças carenciadas do Nepal que viria a dar origem à Associação Humanity Himalayan Mountains. A minha vontade de partir em 'Viagens Incógnitas' mundo afora, nomeadamente por África, levou-me a expandir essa missão a outro país, a Gâmbia. Em 2019 agreguei aqui um outro blog relatando as viagens que realizara anteriormente a 2009. Assim, este blog é dedicado às minhas Viagens pelo Mundo, bem como às "Viagens Humanitárias", de horizontes longínquos, no Nepal e na Gâmbia.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Namastê Pokhara

Em finais de janeiro aterro uma vez mais no Nepal e rumo a Pokhara. Desta vez com a possibilidade de ajudar um amigo com as reservas online do seu hotel o que me permite trabalhar em troca de alojamento e alimentação ao mesmo tempo que vou acompanhando o que se passa no orfanato.
No amplo terraço do recente Hotel Bougainvillea tomo o pequeno-almoço com vista para os cumes nevados do Annapurna e aprecio o lago sereno ao pôr-do-sol. O tempo está frio, é inverno, mas o sol oferece-nos o seu  aconchego luminoso na maioria dos dias.
Como é hábito, reencontro amigos viajantes que conheci aqui ou noutros recantos do continente asiático. Uma voz familiar chama por mim logo à chegada ao aeroporto. A mesma que me chamava nos finais de 2011 quando pus os pés, pela primeira vez, nas areias de Arambol, na India. O Chris, amigo norueguês, assim sem qualquer plano. E da mesma forma inesperada reencontro já em Pokhara o Andreas, amigo romeno, que por aqui conheci na altura das greves e protestos de 2010.
Desta vez, como já previsto, reencontro a Pam, uma respeitável aventureira australiana que conheci em 2010 na Birmânia. E a Eva, amiga austríaca, que conheci o ano passado, aqui mesmo em Pokhara, através do orfanato.
Como seria de esperar cruzo-me com os 'expats' de Pokhara, que aqui vivem ou passam longos períodos de tempo, como a Kaushalya, do Canadá e o David, da Suíça, ela dedicada às 'singing bowls' e ele ao parapente.
E conheço outras viajantes independentes que visitam temporariamente esta pacata localidade, como a Olivia, do Reino Unido e a Chantelle, da África do Sul. Mesmo assim, a ligação é por vezes suficientemente forte para termos a sensação de que nos voltaremos a reencontrar algures de qualquer jeito. 'Sister souls' que, de imediato, apoiam as nossas causas dando-nos força para continuar. Thank you so much, Chantelle!
Através de amigos recebo, também, pequenos grupos de visitantes, uns que são russos mas vindos dos 'States' e outros portugueses de Portugal. Vai um abraço para Boston (para o Leonid Ebril e seus amigos e, em especial, para o nosso amigo Joydeep Sengupta que nos uniu) e outro para Braga (para o Pedro Quintas, o João Campos, a Rosa Torres e o Fernando Almeida, bem como um, especial, para a amiga Rosa Pereira que nos uniu). Foi um enorme prazer conhecê-los a todos!
E, ao mesmo tempo, conheço outros 'brothers and sisters', amantes do Nepal e de Pokhara, que por cá se quedam bastante tempo. O Bob, de Inglaterra, construindo o seu pequeno paraíso na outra margem do lago. A Gaynore, da África do Sul, mas a viver também naquele país. Convívio intenso, calorosa partilha, cumplicidades, num país a que nos sentimos intrinsecamente ligados ao mesmo tempo que o apreciamos com olhos de cidadãos do mundo. Através do CS juntou-se-nos por uns tempos o amável Sidd, outro 'brother' vindo da India e que nos deixa saudades. É uma 'world family' que vai crescendo.
Vivência única foi também a minha ida com a Gaynore à aldeia onde ela fez voluntariado anteriormente, visitando a família que a acolheu e a escola onde ela deu aulas de inglês. Escola que o avô dela continua a apoiar.
Os alunos sentam-se em salas de aulas básicas e vazias de recursos e os seus cânticos em uníssono enchem o recinto escolar. Memorização/repetição é o método de ensino mais usado no Nepal.
Muitas das crianças saem da escola a saber ler e escrever em nepalês mas pouco ou nada em inglês e com poucas habilidades ou fraca preparação para a vida e trabalho. Os professores são mal pagos, cerca de 40 euros por mês, e a maioria sem formação adequada.
Evidentemente, reencontro também os amigos nepaleses habituais pedindo-me alguns auxílio para com a educação dos seus filhos. Mas é impossível atender a todos esses pedidos.
Mantenho-me próxima dos amigos do velho hotel, bem como dos pintores locais aos quais encomendei alguns trabalhos inclusive para o novo hotel. E continuo, eu própria, entretida a pintalgar. Nada que se compare com as suas excelentes obras que retratam paisagens características e cenas da vida quotidiana do Nepal.
Com a Jyoti continuo a deliciar-me com a comida de rua e os sumos naturais ou de cana de açúcar. Na sua maioria estes vendedores ambulantes, que podíamos encontrar espalhados por todo o lado, estão agora a ser reconduzidos para áreas específicas num esforço de reordenamento da cidade.
E com ela visitei inúmeros locais e gentes das redondezas, ou por motivos ligados ao orfanato ou simplesmente porque a convidei a ir a sítios tão próximos e nos quais nunca ela havia estado. Foi o caso da stupa budista que se avista no cimo da colina adjacente ao lago, dia este em que conheço a Barbara e a Sílvia, da Polónia e a Naomi, do Peru, mas a viver em Barcelona. Encontros felizes e dias bem passados.
Tive também a oportunidade de, com outros amigos nepaleses, assistir ao casamento do Shiva e de o presentear com fogão e botija de gás, condição indispensável à vida conjunta do casal nos aposentos que alugaram: um simples quarto, apenas. Situação comum a muitos dos nepaleses que vêm procurar trabalho nesta área turística de Lakeside.
E vou conhecendo amigos novos, seja nos restaurantes locais que frequento ou mesmo em mosteiros que visito. A possibilidade de assistir a uma puja budista privada foi outro acontecimento especial. Uma puja é um ritual em que se oferecem símbolos de gratidão às divindades para poder receber a sua bênção. É considerada importante, por exemplo, quando se inicia um determinado empreendimento.
Com uns amigos e outros, nepaleses ou estrangeiros de várias nacionalidades, participei de inúmeras festas e festivais, a maioria de âmbito religioso, neste país maioritariamente hindu mas com grande influência budista.
Casamentos: Tradicionalmente, os casamentos no Nepal são arranjados pelas respetivas famílias que consideram previamente uma série de fatores como casta, religião, etnia e também os laços entre as famílias, num esforço para construir alianças. No entanto, nota-se uma lenta mudança, os indivíduos têm agora mais liberdade para escolher os seus parceiros sem interferência da família e vão surgindo os casamentos 'por amor'. Vai havendo igualmente uma maior abertura em relação aos casamentos inter-castas, tradicionalmente rejeitados, e entre os grupos étnicos. Casamentos hindus são ocasiões bastante coloridas e cheias de ritual.
Festejos do Novo Ano 2070: O primeiro dia do mês Baishakh, o primeiro mês do ano segundo o calendário oficial nepalês, correspondeu ao 'nosso' dia quatorze de abril de 2013. Naya Barsako Subhakamana!
Shivaratri: Importante festival hindu dedicado ao deus Shiva, o deus da destruição ou transformação. Ocorreu no décimo quarto dia do mês Phalgun, 10 de março. Os devotos dirigem-se aos templos e santuários sagrados para oferecer orações a favor de Lord Shiva e obter a sua graça. Durante a 'Grande Noite de Shiva ", as pessoas reúnem-se à volta de uma fogueira onde colocam canas de açúcar, com que batem energicamente no chão quando quentes, provocando um estrondoso ruído.
Holi: O Festival das Cores que ocorreu no dia 26 de março e que comemora a chegada da Primavera. Neste dia, as pessoas atiram pós de várias cores umas às outras, muita alegria, música e euforia no ar.
E, a qualquer momento na rua, podemos ser inesperadamente surpreendidos com desfiles de pessoas trajando indumentárias típicas das mais diversas tribos ou com a comemoração da união de um casal idoso que desfila num elefante. A riqueza cultural é tanta neste país que a qualquer momento há motivos para festejos.
E por falar em animais, eles estão sempre ao virar da esquina. Deambulam, pachorrentos, por todo o lado, não se incomodando com o trânsito e olham-nos curiosos, sejam búfalos, vacas, cabras ou macacos...
E também eles se banham no lago, lado a lado com as pessoas. Lago esse onde, aliás, tudo se lava, apesar de cada vez mais apresentar problemas de poluição e contaminação. Mas os residentes têm ainda problemas com o abastecimento da água nas suas casas e daí usarem o lago mesmo para a sua higiene pessoal. É, sem dúvida, urgente a intervenção do poder local nesta matéria que tem sido objeto de negligência.
Apesar de tudo, o lago é um regalo para os olhos e são muitos os locais nas suas margens que convidam a uns belos momentos de relaxe e contemplação a qualquer altura do dia e sob quaisquer condições atmosféricas.
Mas seria errado pensar que o lago Fewa é apenas um ponto turístico popular, ele é muito mais do que isso. É, por exemplo, a morada de várias espécies, incluindo algumas aves migratórias que vêm de tão longe como a Sibéria. Além disso, muitos pescadores e remadores de barcos fazem a sua vida através do lago. Hotéis, restaurantes, guias, empresários locais e muitas outras pessoas, direta ou indiretamente, dependem também do lago.
Quando o tempo o permite, também as montanhas nevadas, com cumes acima dos seis, sete ou oito mil metros de altitude, exibem ao largo do horizonte do lago, ou mesmo da cidade, todo o seu encanto e magnificiência.
Seja dia ou noite, ao nascer ou pôr-do-sol, estas paisagens soberbas merecem, indubitavelmente, ser contempladas por todos...
Caminhar pelas redondezas e trepar a pontos elevados dos montes que circundam o lago, é não só um exercício saudável como uma benesse memorável.
Mas há outras formas de transporte disponíveis para aceder a determinados locais, como a motorizada ou o autocarro local, se não nos importarmos com a quantidade ou a diversidade dos 'passageiros' que estes transportam e que podem incluir cabras, galinhas ou cães, para além de muita mercadoria.
Importante é irmos apreciando a paisagem, seja plana ou em socalcos, e o povo na sua labuta diária.
Ou simplesmente numa pausa.
As pessoas recebem-nos com sorrisos e estão sempre a fim de nos acolher nas suas casas.
As crianças brindam-nos com 'namastês', lançam-nos o mais irresistível dos sorrisos e delas ficamos cativos.
De resto, são muitos os episódios, os costumes, as situações, as cores, os sons, os cheiros e os sabores, que atraem a nossa atenção por todo o lado, neste país peculiar que tem a cada instante a capacidade de nos surpreender.
Fiquei mais de quatro meses. Desta vez, os dias de greves foram poucos e os períodos de corte de energia elétrica mais reduzidos. Também o alargamento da estrada principal de Lakeside e o arranjo do caminho do lago continuam. Alguma coisa vai lentamente, muito lentamente, melhorando aos nossos olhos.
Mas nota-se, nesta área turística, um ritmo frenético na construção de casas e hotéis e uma mudança um tanto preocupante na mentalidade destas gentes que veem no turista uma forma fácil de fazer dinheiro. Afinal, a discrepância entre os dois mundos é ainda muito grande e, enquanto uns vêm em busca da paz interior e do desenvolvimento espiritual, outros procuram a melhoria das suas condições de vida num plano mais material pois é agora que essa oportunidade lhes surge...

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Fundos recolhidos em Portugal

Na sequência da atual situação económico-social do país, as coisas em Portugal não estão fáceis e, para mim, também não foi fácil promover iniciativas que possibilitassem a recolha de donativos para as crianças do Nepal, sentindo-me constrangida com todo este panorama de desilusão que se espelha nas pessoas em geral. Agradeço ao Casal da Eira Branca, perto de Caldas da Rainha, ao Museu Municipal de Carregal do Sal e à Fundação Lapa do Lobo, no distrito de Viseu, a possibilidade que me deram de aí realizar exposições dos meus trabalhos e ainda, ao Casal da Eira Branca, pela oportunidade que me deu de fazer uma breve apresentação da minha 'Viagem Incógnita' no seu acolhedor espaço.
Fazendo o balanço até à data, consegui recolher apenas cerca de duzentos euros com donativos angariados através de calendários de bolso ou outros pequenos artigos e das obras dos artistas nepaleses. Agradeço a todos os que contribuíram na zona de Caldas da Rainha, Figueira da Foz e Carregal do Sal e em especial às minhas amigas SUSANA VELOSO, TERESA PAULA, OLGA MONTEIRO e CARMO MIGUEL que contribuíram mais significativamente com a aquisição de algumas pinturas.
Os fundos angariados são uma ajuda para a escola da Manisha que, por razões familiares mas também por ser uma ótima aluna, frequenta agora uma 'boarding school' cujo ano letivo paguei na totalidade (cerca de novecentos euros, estando incluído o alojamento, a alimentação e as propinas escolares). Mas nada disto seria possível sem o apoio incondicional dos meus maiores patrocinadores, a quem tudo tenho a agradecer: os meus queridos pais.
Assim, e uma vez que as 'Humanity Mountains' não têm pernas para andar, este blog também fica por aqui pelo menos em relação a este assunto. Continuá-lo-ei no entanto se houver algum 'volte-face', uma mudança na situação. Entretanto darei algumas notícias através do Facebook. Namastê!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Viagem e voluntariado no Nepal

Para quem tiver interesse em fazer voluntariado no Nepal ou simplesmente visitar o  país e desenvolver algumas atividades (trekking, safari, parapente, meditação e yoga...), aqui ficam estes programas:

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Mais não deu...

Em relação ao ano passado, ficam por ajudar a Manisha e a Amrita, o Sudip e a Anisha... Para além de tantas outras crianças nepalesas também necessitadas, a viver em condições de extrema pobreza ou em meios familiares complicados, num dos países que figura entre os mais pobres do mundo. Mas mais não me é possível fazer, por agora.
Pokhara fica em obras de melhoramento e reconstrução, sabe-se lá por quanto tempo. Só espero que o sossego e a pacatez não desapareçam desta cidade, ponto de partida para as fabulosas montanhas do Annapurna. Também o lago fica com o seu encanto e magia a qualquer hora do dia.
E, para já, este blog também fica por aqui, a não ser que haja algum dado novo digno de registo ou algum agradecimento a salientar.  Poderá contribuir para ajudar crianças e artistas nepaleses comprando uma pintura de 'Humanity Mountains'. Contactos para:

Namastê!