Este blog surgiu em 2009 com o intuito de relatar uma "Viagem Incógnita" pela Ásia que teve início com um bilhete só de ida para a Tailândia. Uma viagem independente, sem planos, a solo, que duraria quatro anos a Oriente. Pelo meio surgiu um projeto com crianças carenciadas do Nepal que viria a dar origem à Associação Humanity Himalayan Mountains. A minha vontade de partir em 'Viagens Incógnitas' mundo afora, nomeadamente por África, levou-me a expandir essa missão a outro país, a Gâmbia. Em 2019 agreguei aqui um outro blog relatando as viagens que realizara anteriormente a 2009. Assim, este blog é dedicado às minhas Viagens pelo Mundo, bem como às "Viagens Humanitárias", de horizontes longínquos, no Nepal e na Gâmbia.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

TURQUIA

Um pé lá e outro cá.
Foi uma viagem organizada, em Abril de 2001, e aterrámos em Izmir. A primeira vez que pus os pés na Ásia. Daqui faríamos um circuito em autocarro visitando vários pontos da Turquia até terminarmos em Istambul, na Europa.
Começámos por visitar as ruínas de Éfeso, uma cidade que, na Antiguidade, era dedicada à deusa Artemis, onde se destacam a Rua de Mármore, o Templo de Adriano, a Ágora, a Biblioteca, a Casa de Banhos Pública, a Casa do Amor e o Teatro onde S. Paulo pregou aos Efésios.
Ali perto, no meio de uma floresta na montanha, visitámos a Casa da Virgem Maria, transformada em capela, onde se crê ter vivido os últimos anos da sua vida.
A cidade helenística-romana de Hieropólis é sobretudo famosa pelas ruínas da sua necrópole, caracterizada pela riqueza e diversidade dos seus túmulos e sarcófagos.
Pamukkale, local conhecido como o ‘Castelo de Algodão’, é famoso pelas suas piscinas termais de origem calcária.
Em Konya, antiga capital do império seljúcida, visitámos o antigo Convento dos Derviches Dançantes que abriga o túmulo de Mevlana, mítico islâmico e fundador da ordem dos Derviches.
No percurso parámos num Caravanserai, uma espécie de hospedaria-fortaleza onde, entre outros, se alojavam os comerciantes para descansarem das suas longas viagens e se refugiarem dos ataques dos assaltantes, e assistimos a um espectáculo étnico.
Continuámos para a Capadócia, uma região única no mundo. Andámos pelos vales de Goreme, Avcilar, Uçhisar e Vale Vermelho.
A lava e as cinzas expelidas por vulcões já extintos constituíram o ‘tufo’ muito mole que a chuva e o vento escavaram e esculpiram, formando assim as paisagens lunares tão características.
Os primeiros cristãos escolheram esta região para se refugiarem das perseguições dos romanos e foram escavando este tufo para construírem igrejas, mosteiros e cidades subterrâneas como as de Derinkuyu e Kaymakl. Estas cidades foram construídas por questões de segurança, sobretudo como protecção das investidas dos árabes, entre os séculos VII e XII, e podiam abrigar centenas de pessoas. As suas galerias eram compostas de quartos, cozinhas, lagares e a sua protecção assegurada por interessantes sistemas de defesa.
Em Ankara, capital da Turquia, visitámos o magnífico Museu das Civilizações da Anatólia que reúne, com grande rigor cronológico e histórico, testemunhos das civilizações que viveram ou passaram pela Anatólia, desde a pré-história passando pelos Hititas, Assírios, Frígios, etc.
Mausoléu erguido em honra de Mustafa Kemal Ataturk, fundador da República Turca em 1923.
À chegada a Istambul passámos da Ásia para a Europa atravessando o Bósforo pela ponte intercontinental.
O Palácio Topkapi foi habitado pela dinastia Otomana durante mais de 400 anos. É um complexo de mansões, pátios, pavilhões, mesquitas, jardins e um dos mais ricos museus do mundo, pelo seu tesouro e colecções de porcelana.
Visitámos também o Bazar Egípcio, reconstruído em 1943 sobre um antigo mercado de especiarias, cheio de animação e o Hipódromo Romano (séc. III-IV d.C.), na Praça de Sultanahmet, onde decorriam importantes acontecimentos desportivos e sociais de Constantinopla.
A Mesquita de Sultão Ahmet, do séc. XVII, é única no mundo com 6 minaretes. O seu interior está coberto com mais de 20.000 azulejos de Iznik cuja principal cor dá o nome pelo qual é mais conhecida – Mesquita Azul.
Santa Sofia, construção do séc. VI, obra-prima da arquitectura bizantina, era na altura considerada a maior igreja do mundo cristão. Após a conquista de Istambul (1453) pelos turcos foi transformada em mesquita. Deixou de ser lugar de culto em 1935 para passar a museu.
Por último demos um passeio de barco pelo Bósforo admirando a bonita costa europeia e asiática com os seus palácios, jardins, fortalezas e casas de madeira.
Foram os últimos momentos com a nossa querida guia que falava um português desembaraçado e com a minha companheira nesta viagem.
O Bósforo é um estreito que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara e marca o limite dos continentes asiático e europeu. Tem um comprimento de aproximadamente 30 km e uma largura de 550 a 3000 m. A sua profundidade varia de 36 a 124 m no meio do estreito.

Adenda

Em setembro de 2014, tornei a pôr os pés em Istambul, numa escala entre voos, vinda do Nepal. A Turkish Airlines proporcionava alojamento gratuito na cidade a passageiros que viajassem em voos internacionais de ligação com escalas de 10 horas ou mais, caso não existisse uma ligação mais curta disponível no mesmo dia e desde que ambos os voos (de ida e volta) estivessem num único bilhete emitido pela companhia. Era necessário cumprir os requisitos de visto de entrada na Turquia e dirigir-se ao balcão Hotel Desk no Aeroporto de Atatürk.
Somos então levados numa carrinha para o Hilton Garden Inn Golden Horn, a cerca de 15 quilómetros do aeroporto de Atatürk, então o hub da Turkish Airlines. Inaugurado em setembro de 2011, o hotel situava-se na margem europeia de Istambul, no histórico bairro de Sütlüce, na zona do Corno de Ouro.
Na manhã seguinte, munidos do pequeno-almoço, somos levados de volta ao aeroporto para prosseguir viagem.


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