segunda-feira, 2 de julho de 2012

Orfanato: presente situação

Encontro-me com a Jyoti muitas vezes, junto ao lago ou na cidade, para tratarmos de algum assunto importante, fazer compras ou simplesmente relaxar um pouco bebendo um sumo natural ou provando alguma nova iguaria. Há ainda muitos assuntos burocráticos a resolver relativamente à situação deixada no orfanato pelo Chandra e de complicada solução face à inércia do Comité de Direção.
Mas habitualmente é no lar que nos encontramos. A casa apresenta agora uma nova cor, esperemos que indicativa de tempos mais tranquilos. No meu período de ausência, e através de uma agência que eu contactara, um grupo de vinte visitantes do Reino Unido pintou paredes e mobília e fez algumas doações em géneros.
No entanto, o quarto dos rapazes tem ainda falta de um armário para arrumar as roupas das crianças que as espalham por ali ou enrodilham em sacos plásticos. E já vai sendo tempo de substituir aquela foto que está no quarto das meninas...
Há também novas almofadas nas cadeiras do primeiro andar e um computador doado pela tal agência. Comprei-lhes uns filmes animados pensando que podiam agora usufruir de um écran maior e a cores mas o computador é tão velho que nem som nem DVD funcional... Só serve mesmo para escrever textos no Word. E continua a entretê-los a minúscula televisão a preto e branco.
Temos quatro crianças a frequentar este ano a escola privada: a Alisha e a Jasmine, as duas meninas mais velhas da casa, que por mim vêm sendo apadrinhadas há dois anos com a ajuda de amigos e este ano também com a ajuda da Fundação Lapa do Lobo. Conto libertar-me deste pesado 'fardo' às minhas costas e ter para elas novos padrinhos no próximo ano...
A Shanti foi apadrinhada pela Eva, da Áustria e o Raju foi apadrinhado pela Kellie, uma australiana que ainda não conheço pessoalmente mas com quem estou em estreito contacto. Ela fez voluntariado no orfanato durante a minha ausência no final de 2011 e testemunhou a 'debandada' do Chandra e os problemas por ele levantados nessa altura.
Vou-me deslocando com a Jyoti à escola por eles frequentada para nos inteirarmos de algum problema e pagar contas, desta vez os cartões de identificação das crianças. Não admira que tanto o presidente como o vice-presidente me recebam sempre tão bem e presenteiem com lenços 'kata'...
Aproveitamos para visitar a escola e ver as crianças nas salas de aula: a Alisha na classe VI e a Jasmine na Classe V, ou melhor, respetivamente no sexto e no quinto ano de escolaridade;
a Shanti na Classe IV, quarto ano;
e o Raju no Upper Kindergarten, que para nós corresponde à pré-primária. Aqui as crianças dão entrada na mesma escola por volta dos quatro anos de idade.
O importante é todos cumprirem as regras da escola, de organização e silêncio...
Apesar de também me deslocar à escola pública para pagar contas das restantes crianças, aqui o tratamento é bem diferente. A 'senhora presidente', em vez de se mostrar solícita quando nos queixámos da quantidade de materiais que desaparecem às crianças nesta escola, desatou aos berros comigo arcando-me com as responsabilidades...
Parece incrível eu dizer isto mas decididamente aqui a escola pública deixa muito a desejar. E vou envidar todos os esforços para que, no próximo ano letivo, todas estas crianças frequentem a escola privada, arranjando padrinhos ou madrinhas para cada uma delas.
Para além do mais esta trupe de seis está agora mês e meio de férias, as 'férias da monção', coisa que só acontece na escola pública. Os da privada estão aulas...
Passam todo o dia em casa na brincadeira e o que vale é a vinda diária da Maya por duas horas à tarde. Ela vem ajudá-los dando-lhes explicações e põe-os todos por ali espalhados a trabalhar. A própria Maya está a ser ajudada pela Nona, a tal espanhola, e com o dinheiro que vai recebendo pelo seu trabalho vai estudar num Instituto de Inglês na cidade já que, frequentando ela própria a escola pública, mal fala, ou melhor, mal falava aquele idioma.
Recentemente visitei a casa com um amigo, o Vikram, um jovem nepalês a estudar nos Estados Unidos que conheci em Pokhara o ano passado. Sendo ele um 'barra' em matemática, prestou auxílio à mais velha, a Alisha, a quem a jovem professora pouco pode valer...
Neste momento há também uma voluntária alemã, a Marlene, que frequentemente visita a casa e entretém as crianças ou presta algum auxílio, como na confeção do lanche. Deliciosos crepes!
De resto é à Jyoti que cabe comandar aquela malta e cuidar também da sua higiene, dando banho aos mais novitos que continuam a adorar o chuveiro a céu aberto nos meses da monção...
Mas o maior problema é sempre providenciar para alimentar aquelas bocas sôfregas todos os dias! A mãe da Jyoti, que vive na zona do Terai, sul do Nepal, vai-lhe fornecendo alguns alimentos mas isso não chega nem pouco mais ou menos.
E lá vamos nós para compras de peso na cidade: arroz, batatas, lentilhas, feijão, grão, ervilhas, farinha, sal, açúcar, cebolas, alhos, gengibre, óleo, massas, ovos, bolachas, leite em pó, chá, café, arroz batido, cereais... Não esquecendo um saco de ração para as galinhas. Estas compras, para além de muitas e variadas especiarias, bem como produtos de limpeza para a casa, são efetuadas, de preferência, para um consumo mensal.
Os produtos frescos como frutas e legumes são comprados para uma base semanal.
Portanto, têm sido muitas as vezes que me desloco com ela a vários lados para fazermos estas compras. Depois, consoante a quantidade, regressamos a casa, de dia ou já noite, de autocarro ou de táxi.
A pequenada ajuda a transportar os sacos até casa e a comida é armazenada na cozinha.
Muitos dos produtos como arroz batido, bolachas, cereais, mel, leite, destinam-se ao lanche das crianças. E o frigorífico vai-se 'compondo'... Ah, e não esquecer o gás, praticamente duas botijas por mês.
E vai valendo alguma ajuda que chega no que diz respeito a outros géneros como roupa, por exemplo. Ofereci-lhes parte da minha e a Kellie tem enviado encomendas da Austrália. Os materiais escolares, como cadernos, lápis e canetas, são um dos bens sempre em falta.
E a ajuda da Nona e dos seus amigos tem sido crucial para o pagamento da renda de casa.
Para cúmulo a Jyoti tem estado doente, queixa-se de dores nas costas e dores de cabeça, e aí vou eu com ela para os médicos e mais contas...
Portanto, após o meu regresso e durante o mês de junho, colecionei uma quantia considerável de recibos. Isto também porque me foi pedido, por parte de uma organização internacional, um estudo dos gastos mensais do orfanato. Ora, até à data, nem a prometida ajuda nem os voluntários residentes (os que dão um contributo pelo alojamento e alimentação) cá chegaram...
O que significa que o 'estudo', que até agora ascende a mais de trezentos euros, foi feito à minha custa e com a ajuda dos poucos que desta vez colaboraram:
Total da ajuda vinda de Portugal - trinta e cinco euros. Total da ajuda por parte da Eva, Áustria - cem euros. Note-se que por cada levantamento do montante diário permitido nas caixas automáticas eu pago agora quatorze euros de taxas. Não posso deixar de salientar e agradecer a boa intenção das duas amigas portuguesas que já repetiram o seu 'pequeno contributo' por várias vezes.
Escusado será dizer que ainda não consegui pagar a escola das outras crianças das aldeias que referi no post precedente relativo a estes assuntos (etiquetas da direita - Voluntariado: De novo o Nepal e o orfanato). Tal como afinal está ainda longe de ter 'asas para voar' o projeto de auto-sustentabilidade do orfanato que passa pela construção de uma capoeira para cem galinhas.
A não ser que alguma 'magia' rápida e inesperada ainda aconteça enquanto eu estiver pelo Nepal. Não falta muito para me ir embora, o limite máximo de permanência no país expira por meados deste mês. Podem consultar as formas de ajudar na etiqueta 'Como ajudar o orfanato' ou fazê-lo através do botão 'Donate', por transferência Paypal, exibido na coluna à direita.
E podem também auxiliar através da compra de uma das pinturas que fazem parte do album 'Pintores locais' da página 'Humanity Mountains' no Facebook. Preço especial se fizerem a encomenda antes de eu regressar a Portugal não pagando assim custos de envio...
Podem contactar-me para:
lyaproject@gmail.com


Sem comentários:

Enviar um comentário