domingo, 15 de maio de 2011

A missão continua

Evidentemente os dois posts precedentes são especialmente dedicados aos queridos amigos acima listados pois foram eles que até agora, respondendo ao meu apelo, contribuíram monetariamente dando azo aos donativos anteriormente mencionados.
Recebi quantias que vão dos 15 aos 100 euros. A soma permitiu tocar já a vida de muitas crianças nepalesas. E não há palavras que bem expressem o meu contentamento. Por fazer isso. Por vocês me possibilitarem isso! Bem hajam de todo o coração!
Tenho, assim, uma parafernália de convites, dedicatórias, diplomas, faturas… E notícias de jornais que não compreendo, estão em nepalês. Tornei-me, ou melhor, tornámo-nos, famosos. O acontecimento em Ghachok saiu num semanário local e as novas andam de boca em boca. Agora telefonam-me ou interpelam-me pedindo ajuda. Um caso sério. Digo que não. Ou talvez, quem sabe.
Claro que gostava de continuar a ajudar. Claro que preciso de ajuda para ajudar. E claro que sei que o nosso país atravessa uma situação desgraçada. Não é fácil. Mas não posso deixar de continuar a tentar. Talvez aqueles que até agora ainda não tiveram oportunidade…
Trajes típicos nepaleses
Decidi que, de qualquer das formas, vou deixar aqui os balanços e as estimativas do que pude comprovar in loco. O que vier por bem será bem empregue e tem muito para onde ir.
Na minha memória continua fresco aquele abraço que o Kalsan deu ao ‘padrinho’, o Francis, quando se conheceram em Pokhara ao fim de uns 12 anos. Um momento emocionante. Para eles e para nós que presenciámos. O rapaz tibetano está agora quase formado e o Francis continua a patrociná-lo no colégio interno, através de uma organização, com 30 euros por mês.
Não peço tanto. Um ‘padrinho’ ou uma ‘madrinha’ para uma criança por um ano seria fantástico. Muitos ‘poucos’ donativos que possam vir, como até aqui foi feito, fazem milagres…
Seguem as minhas conclusões.
O custo total anual das propinas escolares de uma criança varia de escola para escola e de acordo com o ano por ela frequentado. Segue abaixo o recibo do meu/nosso patrocínio do Manish pois foi a única criança a quem paguei o ano escolar na totalidade. Enfim, como tive que fazer ‘ginástica’ com o dinheiro e distribuir o ‘mal’ pelas aldeias, a uns os livros, o uniforme e o material, a outros as propinas escolares, por um ano ou por um mês…
Esta é uma das escolas mais baratas pois é fora da cidade. Mas foi aquela que me apresentou o recibo de tal forma explícito e discriminado que também eu compreendi. É que tudo é pago à parte desde a mensalidade ao uso do computador, à taxa dos exames, às explicações e até ao lanche na escola. A ‘miscelânea’ refere-se ao distintivo, ao cinto e à gravata usados numa determinada escola. Neste recibo não estão incluídos o preço do uniforme, dos livros e material escolar.
O pequeno Filémon, um docinho
Assim, fazendo uma média, penso que cerca de duzentos euros anuais dão para pagar os custos de educação de uma criança no Nepal pelo menos nos primeiros anos. Normalmente o ‘apadrinhamento’ inclui também o seu sustento mas já nem faço contas a isso. E quem sabe um dia não poderão também conhecer esse ‘afilhado’!
Ontem lá vou eu uma vez mais de mota com um amigo visitar nas aldeolas projetos que tentam prestar auxílio às famílias, neste caso através das mulheres. São lugares onde os carros não vão e onde não é fácil chegar. Não é só por causa dos caminhos em péssimo estado. É porque, para além dos cortes diários da luz e da água (onde há), há também racionamento do petróleo. E lá tivemos que andar de bomba em bomba até encontrar dois litros para pôr no depósito…
Visitámos primeiro uma ‘escola’ (uma salinha construída para este propósito) onde, com a ajuda da humilde professora, as dedicadas alunas se esforçam por alcançar algum nível de literacia.
E, noutra localidade, a sala onde as mulheres vão aprender um ofício, neste caso a costura, para um dia terem uma forma de rendimento. Têm falta de material para poderem praticar os cortes. Amanhã vou comprar tecido para lhes mandar fazer uma ‘kurta’ (túnica). Vamos lá ver como é que sai…
Para quem se dispuser a ajudar estas e outras causas, por favor contactem:
Ah... as ‘carinhas larocas’ neste post são de ‘piquenos amigos’ que aqui tenho em Pokhara. Não quer dizer que todos sejam carenciados. Apenas achei que ficavam bem a enfeitá-lo :)

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