segunda-feira, 11 de junho de 2012

De novo o Nepal e o orfanato

As minhas idas e vindas do Nepal têm a ver com vistos e limites de tempo, bem como com outras razões de ordem pessoal que dariam um filme em vez de um blog…
À minha chegada, em fins de maio, o país emerge de um período conturbado de greves consecutivas e prolongadas que acarretaram graves consequências, principalmente em zonas mais isoladas que, assim, e dada a paralisação dos transportes, ficaram sem provisões e sem medicamentos para tratar de muitos doentes que acabaram por falecer. Motivos políticos e étnicos relacionados com o sistema de castas que provocaram protestos e violência por todo o país.
Nesta nação de 27 milhões de pessoas, que saiu recentemente de uma monarquia hindu, até então a única no mundo, a transição para a democracia vem sendo traumática. Vários problemas espinhosos se apresentam passando pela reintegração dos 19.000 ex-combatentes da rebelião maoísta na sociedade civil ou no exército, e pelo equilíbrio do poder numa nova constituição permanente para o país. Partidos políticos rivais não conseguiram chegar a acordo sobre a nova Constituição antes do termo da legislatura nacional que expirou à meia-noite do dia 28 de maio e o Nepal entrou numa nova crise. Falhas de energia tornaram-se comuns, enquanto a economia foi atingida devido à incerteza política do país.
De novo enfrentando as estradas que teimam em continuar péssimas e as filas de trânsito no acesso a Kathmandu que permanecem intermináveis, pus-me a caminho de Pokhara numa carrinha apinhada.
Os campos apresentam-se verdejantes nesta altura e os percalços rodoviários são resolvidos com paciência e improviso.
E instalei-me no mesmo hotel de onde aprecio o lago Fewa e a copiosa chuva da monção...
... que deixa as estradas neste estado. Está tudo na mesma.
Na minha ausência, e como referi anteriormente, ficou em Pokhara e a 'tomar conta' do orfanato, a Nona, a espanhola que aqui conheci e que rapidamente se aliou a mim nesta causa, solicitando também a ajuda dos seus amigos. Encarregou-se de continuar a levar os miúdos ao médico e das despesas escolares que surgiram no início do novo ano em meados de abril. Comprou alguns uniformes, livros e outros materiais.
Depois regressou a Eva, uma alemã a viver na Áustria, que eu conheci no orfanato em março. Apadrinhou uma das crianças e comprou produtos para a casa incluindo roupa de cama. Também a Teresa, uma portuguesa que não conheço pessoalmente mas com quem há muito me correspondo a propósito do nosso 'périplo asiático', resolveu visitar o 'meu orfanato', depois de tanto voluntariado que já fez por aí fora, e deixar o seu contributo monetário. Gestos tão grandes de quem tem que 'contar os parcos tostões' para financiar a sua própria viagem...
Passou também pelo orfanato o Shalom, um americano, amigo da Jenny que conheci no Brunei. Sabendo que ele andava pelo Nepal na altura em que eu a visitei, ela pediu-lhe para aqui vir e ele assim fez, proporcionando momentos inesquecíveis aos miúdos, levando-os a lanchar e a passear de barco no lago.
O reencontro com a Jyoti numa casa que a pouco e pouco 'vai lavando a cara'.
Também a máquina continua a lavar, se bem que os problemas de abastecimento e escassez da água não a impedem de lavar alguma roupa à mão.
Os pintos cresceram.
E os miúdos também.
Há novos elementos na casa: um gatinho que todos adoram e dois sobrinhos da Jyoti que agora aqui vivem e a ajudam nas tarefas domésticas.
Novidades: A Sima deu um grande trambolhão na escola e tem ainda resquícios de pedras na ferida da testa.
Há uma mini televisão a preto e branco oferecida pela mãe da Jyoti e um DVD oferecido por voluntários. A que havia anteriormente foi levada, entre muitas outras coisas, pelo Chandra.
A Jyoti 'remendou' com arame a lacuna que havia no portão da entrada e há cestos pendurados para a recolha do lixo.
De resto eles continuam a comer avidamente....
... e a divertir-se à grande com os 'brinquedos' que aparecem.
O frigorífico está praticamente vazio e o senhorio da casa despejou no fundo da ladeira uma série de materiais que não precisa: portas, janelas, tábuas, placas de madeira, chapas de zinco, plásticos, carpetes...
... e que todos transportaram às costas ladeira acima.
Com todos estes materiais, e dado que pensa prescindir dos fogões e dos cozinhados a lenha, a Jyoti planeia construir naquele telheiro uma capoeira de galináceos. Comprar pintos para mais tarde vender as galinhas poedeiras, que rendem mais de dez euros cada. Uma forma de ajudar a tornar a casa sustentável.
E posto isto, ou seja, o facto do orfanato ir a pouco e pouco ganhando 'asas', tenho agora mais disponibilidade para dar atenção aos outros casos que ajudei no ano passado e que este ano, até agora, ignorei. Sinto que é meu dever ajudá-los já que previamente lhes 'dei a mão'. E é isto que agora quero fazer antes do meu regresso... sim, desta vez, a Portugal...
Esta é a escola privada do Anish e da Asmita numa aldeia desterrada de montanha na periferia de Pokhara.
E esta é a casa onde vive a Binu com o marido e a família. Lembram-se? O marido fez uma delicada operação ao coração e tem agora dificuldade em arranjar emprego já que não pode fazer grandes esforços. É ela que agora sustenta a casa, costurando e trabalhando nos campos. Apadrinhei os seus dois filhos no ano passado, o Anish e a Asmita. Podem ver o caso neste link:
Esta é a escola privada do Manish, outra criança que apadrinhei no ano transato. E ajudei ainda a Manisha e a Amrita que estudam numa escola pública. Note-se que as escolas públicas têm normalmente melhores condições que as privadas já que são financiadas pelo governo mas, como já expliquei em posts anteriores, o ensino aqui ministrado não lhes oferece bases sólidas já que oscilam com a grande instabilidade política do país. E, por exemplo, é raro ouvir destas crianças uma palavra em inglês... Podem ver estes casos neste link:
São estes os casos a que agora tento prestar auxílio. 
Será que 'desse lado' ainda há quem me ajude a ajudar?...
Podem usar o botão dos donativos na coluna à direita para transferências por Paypal e/ou contactar-me para:
lyaproject@gmail.com

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