sábado, 25 de setembro de 2010

Regresso ao Orfanato

Continuando em Pokhara não pude deixar de voltar ao orfanato. E todos os dias lá ia pelo mesmo caminho de cabras cada vez mais obstruído com pedras e esburacado pela monção.
Às oito crianças que já conhecia juntaram-se mais duas: o Anil e o Jeeban, duas crianças de rua recolhidas, entre outras, por uma associação social que posteriormente as distribuiu por várias instituições.
O Nepal é um país maravilhoso, com uma cultura rica e diversificada, mas é ainda um dos países mais pobres do mundo. Para além dos desafios políticos, sociais, educacionais e económicos, o país enfrenta todos os anos os desastres naturais decorrentes, por exemplo, das monções e as doenças devido à falta das condições sanitárias básicas e de cuidados médicos. As crianças são particularmente afectadas por estas situações sendo abandonadas pelos pais ou ficando órfãs. Tornam-se vulneráveis aos abusos e muitas caem na 'vida de rua'.
Os rapazes já tinham os novos uniformes escolares mas o dinheiro ainda não chega para comprar o das meninas que continuam a usar o antigo.
Depois de deixar as crianças na escola habitual, acompanhava o Anil e o Jeeban a uma escola diferente, pública.
A casa tinha outros novos hóspedes que a olhos vistos iam crescendo.
Eles continuam uns comilões, a adorar o dal bhat e tudo o mais que as visitas lhes ofereçam.
Acima de tudo estas encantadoras crianças continuam a deixar-nos perfeitamente encantados.
O Rabin e a Alisha
O Raju e a Ruth
O Joseph, a Jasmin e a Bin Kasi
E continuam aplicados e a levar os estudos muito a sério. Como é o caso do Bishal que entrou para a escola este ano.
Manifestam-se e desenvolvem-se capacidades.
O Jeeban gosta de desenhar e pintar, o Joseph tem uma inclinação especial para a música, a Bin Kasi adora dançar e cantar as músicas nepalesas.
E os mais novos vão-lhe dando o jeito.
Estão sempre bem dispostos e prontos a fazer a festa. Nunca os vi chorar nem fazer birras e na doença mal se queixam.
Cantam os parabéns aos adultos e aguardam pacientemente o seu quinhão de bolo.
O Caramboard é um dos jogos preferidos para além do Uno que lhes ofereci.
E o Raju continua a pular para o nosso colo.
Lá ia ajudando a Jyoti nas tarefas domésticas, como lavar e cozinhar. Por vezes ía com ela apanhar erva para os coelhos.
A criançada deleita-se com um lanche no meu hotel.
Gostam de sair, ir para o parque, passear e correr à beira lago.
Os dois meninos abraçados, o Rabin e o Raju, são irmãos. Enquanto estive no orfanato e pelas informações do casal, nunca um familiar de qualquer uma das crianças os veio visitar. A alegria deles dá-nos grandes lições...
E instalam-se no novo sítio favorito onde ficam atentos a apreciar o vaivém de barcos e passageiros que visitam o templo no meio do lago.
A Jyoti continua a esbanjar simpatia e a distribuir sorrisos luminosos.
Juntamente com outros elementos do Comité de Direcção, fizeram-me uma festa surpresa de despedida.
Custa dizer-lhes adeus mas pelo menos neste momento fica lá a Alex, outra voluntária, uma diligente jovem inglesa, encarregue de me contar as novidades e o que por lá se vai passando...

2 comentários:

  1. Olá, gostamos muito da tua viagem. E que tal arranjarmos uma forma de ajudar estas crianças? Em breve falaremos. Um abraço

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  2. Obrigada, João, pela oportunidade que me dás de tocar neste assunto. Claro que eu adoraria fazer todos os meus possíveis para ajudar estas crianças pois conheci bem a realidade delas. Custa-me pedir donativos às pessoas dadas as crises que se instalaram no nosso país mas se tiveres alguma ideia para fazermos uma angarição de fundos muito te agradeço. De qualquer forma vou acrescentar informação no post em cima, não vá alguém querer mesmo participar...
    Grande xi-coração para ti, Andreia e Guizito

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