domingo, 28 de agosto de 2011

INDONÉSIA, Java

Primeiro a viagem a quem puder interessar…

Comprei os bilhetes separados, o voo noturno direto Kathmandu - Kuala Lumpur numa agência pois a Royal Nepal Airlines não vende online, e o voo KL – Jakarta através do site da Air Asia (que não vende em agências). Saiu a metade do preço comparado com o custo final da agência ou dos motores de busca.
Em Kuala Lumpur, Malásia, tive que mudar de terminal para ir para o voo da Air Asia (troquei um dólar para comprar o bilhete de autocarro em ringgits, a viagem demora mais de meia hora) e fiz o check-in nas máquinas. Continuei para a secção de controlo nas partidas internacionais e aqui era o meu receio pois apenas viajo com uma mochila pequena de 9 kg como bagagem de mão. No aeroporto do Nepal passa tudo: cremes, líquidos com 120 ml, sumos, água, comida e nem o computador tirei da mochila. Abriram, espreitaram e fecharam. Na Air Asia os cartazes junto à passadeira para inspeção dos sacos exibiam os tais dizeres: nada de líquidos com mais de 100ml, pôr em saco plástico, separar equipamentos eletrónicos (incluindo telemóveis), etc. Estava com sono, não tirei nada, coloquei carteira e mochila assim, fechados. Do outro lado nem sequer abriram, só me desejaram boa viagem…  
E foi. Cheguei a Jakarta num instante, um dia de sol, para trás fica a monção do Nepal (e muitas saudades também). Esperava-me o condutor da CS Melinda que me levou para casa dela, nos arredores. Mas com quem visitei Jakarta foi com a Tina que trabalha em casa dela. Pena é que mal fale inglês…
Começámos de ojek, mota, uma das pragas da cidade já que são milhares e causam muita poluição, do ar e sonora. Usámos também o bajaj, as carrinhas que vão recolhendo vários passageiros, o comboio para ir aos arredores, mas andámos principalmente de autocarro.
O transjakarta é uma boa opção para enfrentar o congestionado trânsito da cidade já que há corredores exclusivos e todo o sistema de passagens e passadeiras aéreas para as ligações entre autocarros está bem organizado.
Jakarta
Jakarta é a maior cidade e a capital da República da Indonésia, um país-arquipélago com mais de 17.508 ilhas e o país islâmico mais populoso do mundo. Situa-se na ilha de Java junto ao rio Ciliwung e conta com cerca de 18 milhões de habitantes na sua área metropolitana.
Inicialmente era um povoado designado Kalapa, o maior porto do reino hindu de Sonda. Foi alvo de frotas portuguesas, a primeira frota europeia a chegar à zona, em busca da pimenta, no ano de 1513. Os holandeses fundaram a cidade em 1619 com o nome de Batávia. Foi ocupada pelos ingleses entre 1811 e 1814, pelos japoneses em 1942 e tomou o nome atual em 1949.


Monas é o monumento nacional com 137 metros de altura e cúpula coberta com 50 quilos de ouro que simboliza  a independência da Indonésia da Holanda em 1945. Por todo o lado se vê a bandeira nacional e faixas comemorativas do Dia da Independência que precisamente se celebrou no dia 17 de agosto, altura em que eu já estava na Indonésia.

No porto Sunda Kelapa podemos entrar nas embarcações de madeira, réplicas dos antigos barcos dos séculos passados, principal meio de transporte entre as ilhas Borneo, Suwalesi (Celebes), Maluku (Molucas) e Papua Nova Guiné.
Já noite, visitámos o "País da Fantasia de Ancol", atualmente a maior área de turismo integrada do Sudeste Asiático com Parques de Diversão (Duna Fantasi, Ocean Park), aquário, resorts, hotel, praia, marina e bons restaurantes.
Como apanhámos transportes públicos também no regresso, chegámos a casa às 23h30 nesta minha primeira noite em Jakarta. Há muito que não me lembrava de fazer noitada!!
No dia seguinte continuámos as visitas incluindo Taman Mini Indonesia Indah, o parque miniatura Indonésio que exemplifica a imensa variedade cultural deste país.
As nossas refeições foram sempre em restaurantes locais ou na rua, nos warungs, e diga-se de passagem que a comida aqui é ótima com muitas ofertas vegetarianas.
No quarto dia deixei Jakarta num autocarro noturno e fui com a Tina visitar a terra dela que alcançámos no dia seguinte pela manhã depois da mudança para um miniautocarro e mais um percurso de meia hora de mota.
Alunos a caminho da escola
Uma verdadeira experiência ‘homestay’ numa casa simples situada na pequena aldeia de Suwidak.
Árvore e fruto novo para mim: o salak.
O convívio com novos amigos e o passeio até ao rio.
A passagem pelo mercado de Karangkobar.
E a continuação da viagem em transportes públicos típicos que o que está a dar é viajar como os locais...
Dieng Plateu é um planalto pantanoso, a 2000m de altitude, que forma o piso de um complexo de caldeiras perto de Dieng Wonosobo, Java Central. A atividade vulcânica continua até hoje, com fumos sulfúricos e lagos venenosos fervilhantes. Na zona há também nascentes de água quente e lagos multicoloridos.
Os antigos povos hindus javaneses construíram aqui, do século VIII ao século XIII, centenas de templos e fizeram de Dieng Plateau um lugar sagrado. São as mais antigas estruturas de pedra conhecidas em Java. A palavra Dieng foi formada a partir dos vocábulos sânscritos Di e Hyang e significa ‘morada dos deuses’.
Em Wonosobo despedi-me da Tina, ela voltou para a terra dela e eu continuei sozinha para Borobudur numa 'travel', uma carrinha de passageiros em que eu era a única turista.
À chegada, já noite, o Fatah, outro passageiro com quem conversei durante a viagem já que ele falava inglês, ajudou-me a procurar alojamento. Assustei-me quando ele se dirigiu a este hotel todo 'finesse', o Pondok Tingal, pois imaginei logo que seria caro. 
Mas afinal tinham dormitórios. O meu 'dormitório' era um quarto com duas camas só para mim, wc exterior mesmo ao lado... Custou-me 25.000 IDR (dois euros). Ainda por cima o hotel tinha wifi. Fiquei duas noites.
Borobudur situa-se numa planície vulcânica muito fértil que fica entre os vulcões Monte Sumbing e Monte Sundoro a oeste, e Monte Merbabu e Monte Merapi a leste. É o maior monumento budista do mundo e um dos mais antigos, datado do século VIII, que a UNESCO acrescentou à sua lista de monumentos Património Mundial em 1991. Foi este monumento que me trouxe aqui.
O templo é uma enorme estrutura piramidal feita a partir de blocos de pedra gigantes, construído sobre uma colina. Visto em planta, o monumento representa uma Mandala que é uma representação esquematizada do cosmos e os vários níveis representam os estágios de iluminação.
Os seis terraços inferiores são quadrados e estão ligados por escadarias íngremes. Cada terraço tem painéis de pedra detalhadamente esculpidos que contam a história dos Sutras budistas. De acordo com o ritual budista a maneira correta para ver os relevos é começar a partir do portão leste e circular no sentido horário. Os três últimos terraços são de forma circular e muito menos ornamentados, representando uma evolução da "forma" terrena para um estado mais elevado e sem forma. Borobudur é um livro em pedra contando a história da vida de Buda, os seus ensinamentos e o seu progresso em direção ao Nirvana.
O monumento esteve abandonado e escondido durante séculos sob camadas de cinzas vulcânicas e pelo crescimento da selva espessa. Foi fortemente afetado pela erupção do Monte Merapi em outubro e novembro de 2010 e os trabalhos de limpeza das cinzas ainda continuam pelo que os últimos três níveis estão encerrados ao público até final da restauração prevista para novembro de 2011.
De Borobudur segui para Yogyakarta onde fui recebida por este simpático casal, o Krishna e a Detty.
Yogyakarta
Palácio do Sultão
Foi com a Detty que passei a maior parte do tempo, em passeios, compras e visitas pela cidade, saboreando iguarias locais, visitando a escola dela ou dando umas braçadas na piscina.
Numa noite assistimos as duas a um espetáculo de marionetas (teatro de sombras) e inclusive fui com o casal à missa, às 7h da manhã de domingo!!, já que eles são católicos e também tocam e cantam no coro.
Aprecio este saudável convívio entre igrejas e mesquitas, templos hindus e budistas, tudo na mesma zona. Lamentável quando assim não é...
Muitos monumentos hindus e budistas foram construídos na região central de Java e são mais ou menos contemporâneos. E foi perto de Yogyakarta que visitei este monumento, Prambanan, um templo hindu com muitos elementos budistas à mistura, datado do século IX. A prova de que estas duas religiões há muito convivem pacificamente uma com a outra.
O complexo de templos é dedicado à Trimurti, a expressão de Deus como o Criador (Brahma), o Sustentador (Vishnu) e o Destruidor (Shiva). Considerado também Património Mundial pela UNESCO, é o maior templo hindu na Indonésia e é um dos maiores templos hindus no sudeste da Ásia.
Deixei Yogyakarta num autocarro noturno e cheguei a Malang às 5h da manhã. Fui diretamente para casa da jovem Martha onde ainda dormi umas horitas antes de sairmos as duas no carro dela para a visita da cidade.
Mercado dos pássaros e templos chineses.
O encontro com outros CSers e as deliciosas iguarias em restaurantes e warungs: Tempe Penyet, Pecel Terong, Tohu Telor... Adoro a comida vegetariana com molho de amendoim. Depois um bar com música ao vivo para provar a cerveja de manga.
Dois dias depois dirigi-me para a pequena localidade de Cemoro Lawang. Parti de autocarro e cheguei de mota. Passei uma noite numa casa particular, ou melhor, metade de uma noite... Às 4h da manhã já estava a subir a escadaria de um morro para observar o nascer do sol do miradouro. Lindo!
Aos nossos olhos o 'Mar de Areia', uma vasta planície considerada reserva natural protegida desde 1919, o Monte Penanjakan (2.770 m) e o famoso Monte Bromo e outros vulcões a fumegar.
Monte Bromo é um vulcão ativo que faz parte do maciço Tengger. Não é o pico mais alto do maciço, mas é o mais conhecido. A última erupção do vulcão foi em janeiro deste ano. O nome de Bromo deriva da pronúncia javanesa de Brahma, o deus criador Hindu.
Às 6h já estava a atravessar a superfície gelada do Mar de Areia para subir até à cratera do Monte Bromo. Assustador!! Até porque só ali estava eu. Quando os outros turistas chegaram eu estava de novo em baixo, na planície.
A maioria faz as visitas de jipe podendo depois optar pelo cavalo no resto do percurso. Eu, evidentemente, fui de mota e depois a pé. Às 7h regressei a casa.
Nesse mesmo dia, há três dias atrás, apanhei um autocarro local para Probolinggo e depois outro turístico até à costa leste. Meti-me num ferry, cuja passagem estava incluída no bilhete que comprei, e abandonei a Ilha de Java.

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