segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Royal Trek e os lagos

Há sete lagos famosos à volta da cidade de Pokhara sendo Phewa, Begnas e Rupa os mais conhecidos.  Em Pokhara conheci o CS Samuel, suíço, e decidimos fazer juntos o Royal Trek que tem início a este da cidade.
Começamos a caminhada em Bijayapur e temos logo uma acolhedora e improvisada receção.
Vamos apreciando a labuta desta gente à medida que nos afastamos ligeiramente do vale do rio e dos planos campos de arroz.
O Royal Trek é um percurso à volta da região dos lagos e é assim chamado porque o príncipe Carlos de Inglaterra o percorreu no início dos anos oitenta com a sua comitiva de noventa pessoas.
É um trekking curto, de três ou quatro dias, a uma altitude que não ultrapassa os 2000 metros  que oferece oportunidades culturais ricas pela mistura de povos que habitam a zona,  para além de fabulosas vistas da faixa do Annapurna. É, por isso, também chamado de Annapurna Skyline Trek.
Esta caminhada Real apresenta um verdadeiro retrato de singularidade permitindo-nos a oportunidade de capturar os estilos de vida tradicionais das tribos cujas antigas práticas religiosas e tradições se mantiveram inalteradas por milhares de anos.
Esta senhora acenou-nos de longe e fez questão que a filha nos trouxesse água para bebermos. Não podemos recusar a amabilidade e ainda bem que eu e o Samuel, que também está no Nepal há mais de quatro meses, já nos tornámos imunes à água corrente…
Caras lindas, olhos grandes, olhos verdes.
Um grupo de crianças diverte-se neste cenário. E há lá sítio melhor para brincar e correr em liberdade?...

O topo do monte oferece vistas generosas para o lago Begnas.
Todos os caminhos são válidos para descobrir e visitar templos onde se veneram divindades várias e se oferecem sacrifícios de animais às mais austeras.
Subimos a encosta até Kalikathan, a 1370m, onde pernoitamos.
Kalikathan
Como o circuito não é muito turístico por vezes o alojamento é bem simples em casa dos próprios habitantes das aldeias, designado ‘homestay’. Os grupos normalmente trazem o seu próprio equipamento, como tendas e fogão, e acampam.
Acordamos acima das nuvens e continuamos a nossa caminhada, fazendo uma média de cinco a seis horas por dia.

No caminho podemos desfrutar de belíssimas vistas sobre os terraços de arroz eloquentemente  construídos nas encostas. O arroz é cultivado durante este mês chamado Shrawan no Nepal que vai de meados do nosso mês de julho a meados de agosto. É a altura das grandes férias escolares já que as crianças mais crescidas ajudam os pais no trabalho do campo.

Esta rota tem poucos turistas em relação a outras áreas de trekking na região Annapurna possibilitando um contacto próximo da natureza, da cultura e do estilo de vida das pessoas. Aliás, não nos cruzámos com nenhum outro trekker durante todo o percurso nesta altura.
Lipini
Seguimos por uma encosta florestada através de Mati Thana, Naudanda e Lipini onde paramos para almoçar. Cerca das 18h chegamos a Sayklung, a 1730m, onde nos alojamos em casa de uma família Gurung.
Sayklung
Casa simples mas onde comemos e dormimos bem.
Lá do alto avistamos agora dois lagos: o Begnas e o Rupa.
No terceiro dia passamos por sítios mágicos, florestas milenares, templos encantados.
Baghe Pokhari
Subindo e descendo, subindo e descendo.
Também atravessamos prados e campos de cultivo.
Chisopani

Descemos a encosta até ao vale e trepamos a próxima até à aldeia gurung de Chisopani, situada a 1629m de altitude. Subimos até ao topo onde se encontra um pequeno templo com esplêndidas vistas do vale já que as montanhas nevadas se escondem nas nuvens.
Ao longo da nossa caminhada conhecemos gentes simples e afáveis com quem logo simpatizamos.
E finalmente os cumes nevados dão um ar da sua graça. A estar céu limpo ver-se-ia todo o magnífico Annapurna Range, Machhapuchhre e alguns picos da cadeia Langtang.
No caminho conhecemos a Roma que partilhou connosco o seu lanche e nos conduziu pelos labirínticos e enlameados carreiros dos campos de arroz depois de descermos toda a encosta quase a pique.
Subimos agora a outra encosta do Lago Rupa que avistamos da janela do quarto da casa de hóspedes em Sundardanda.
No dia seguinte, percorremos a crista de onde se avistam os dois lagos, o Rupa e o Begnas, um dum lado outro do outro.
Descemos a encosta do Begnas e paramos para comer antes de atravessar o lago. E conhecemos a pequena e bela Sabina que nos impressiona com a leitura do menu em inglês.
E já a nossa barqueira se prepara para nos levar ao outro lado.
Apreciamos o cénico Lago Begnas de vários pontos de vista.
Uma chuva repentina faz surgir o arco-íris, completo, de um lado ao outro do lago.
Regressei a este ponto dois dias depois e conheci a Krishna, professora, em Piple. Continuei com o meu guia campos de arroz adentro, desta vez por uma zona plana mais a sul.
Encontrámo-nos com os avós e restante família do Manish, uma das crianças apadrinhadas com a recolha dos donativos, que me haviam convidado para almoçar.
A irmã, a Manisha, estava visivelmente cansada após o regresso do trabalho no campo.
É sempre difícil perceber exatamente quantas pessoas vivem na pequena casa, novos e velhos surgem de todo o lado.
Os novos amigos conduzem-nos através dos campos até à estrada de asfalto onde apanhamos o autocarro de regresso a Pokhara.

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