sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Retiro budista

O autocarro deixou-me mesmo em frente ao mosteiro de Suan Mokkh, cerca das 7h da manhã. Já lá estavam outras pessoas para fazer o retiro, algumas dormiram no próprio mosteiro na noite anterior.

Dirigimo-nos para o Dhamma Hermitage Center, ali perto, onde iria decorrer o retiro com início no dia 1 de Dezembro. Foi fundado pelo monge Ajahn Buddhadasa, natural de Chaiya.

Budismo Theravada, meditação vipassana, anapanasati, "mindfulness with breathing". Seriam 10 dias de retiro em completo silêncio, sem qualquer comunicação com o exterior e em harmonia com a natureza. Tudo o que eu precisava dadas as circunstâncias. Aliás, fiz a viagem tendo em conta o início deste retiro que descobri na internet. Pagamos uma contribuição de cerca de 40 euros pelos 10 dias com tudo incluído.
Éramos cerca de 100 pessoas, de todas as idades, mas a maioria jovens. Os dormitórios de homens e mulheres separados e os quartos tipo celas.

A cama de cimento, apenas com uma esteira, e a almofada de madeira. Cada um tinha ainda uma manta e uma rede de mosquitos. Tudo conducente a uma forma de viver simples que se revela na comida (vegetariana e deliciosa) e no alojamento para ajudar a aquietar a mente. Alguns preceitos: Não prejudicar, não abusar, cultivar a humildade e a compaixão; abster-se de matar seres vivos, não apropriar-se do que não é dado, abster-se de conversa falsa...
Num ambiente tranquilo e maravilhoso. Os sons eram os da natureza, sons de animais, aves que nunca ouvira. Tudo inspirava e conduzia à meditação.



Rotina diária: Acordar as 4h00!!; 4h30: leitura do dia; 4h45: meditação sentada, em grupo; 5h15: yoga; 7h00: meditação em grupo; 8h00: pequeno almoço; 10h00: ensinamentos do Dhamma (normalmente dados por um monge britânico); 11h00: meditação em movimento; 11h45: meditação sentada, em grupo; 12h30: almoço e coros (reflexão sobre a comida); 14h30: ensinamentos; 15h30: meditação em movimento; 16h15: meditação em grupo; 17h00: cânticos em páli; 18h00: chá ou leite e tempo livre para as hot springs (lago de águas quentes naturais); 19h30: meditação em grupo; 20h00: meditação a andar, em grupo (com bom tempo era à volta do lago redondo, à luz das velas, sob o céu estrelado); 20h30: meditação em grupo; 21h00: descansar o corpo e a mente; às 21h00 extinguiam-se as luzes.


Cada um desempenhava ainda uma tarefa no tempo livre: limpar o refeitório, varrer os caminhos, apanhar as folhas, limpar as casas de banho, acender as velas... Na maioria do tempo andávamos descalços.


O retiro não é fácil mas assentou-me bem. Não atingi a iluminação mas quando uma pessoa cai e se parte aos bocados há que voltar a juntar as peças e recuperar o equilíbrio e a energia.

A extraordinária monja Aree fez-me a entrevista inicial e mostrou-se totalmente compreensiva. Aliás, ao falar com ela percebi melhor porque tive um apelo tão grande em vir aqui. Eu já havia começado a limpeza exterior, material, havia que fazer a interior, emocional... Varrer o lixo! Just let go!
Amizades feitas no silêncio.


No dia 11 voltámos a acordar às 4h00. Depois da meditação e do discurso de despedida, tiraram-se as fotos após a distribuição do nosso equipamento electrónico que havia sido recolhido no início do retiro. Cerca das 8h00 foi servido o pequeno almoço no mosteiro de Suan Mokkh. Despedidas.

Fui numa carrinha para Chaiya onde, às 11h00, apanhei o comboio de regresso a Bangkok com outros participantes do retiro.

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