sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A Planície dos Jarros

Dispenso muitas das actividades que por todo o lado se oferecem aos turistas porque algumas, como por exemplo andar de elefante, já as experimentei. Em contrapartida há sítios que, para mim, são de visita obrigatória. Phonsavan, no Laos, era um deles.
Não conheci ninguém em Luang Prabang que lá quisesse ir ou que tivesse ouvido falar do local. Uma vez mais pensei que só eu tinha esta ideia de ir passar o Fim do Ano a sítio tão longínquo. Mas não. Lá iam mais oito pessoas na mini-van...


Seguimos por uma estrada de montanha, agora já pavimentada. Sei que, até há pouco tempo, os acessos eram bem mais dificultados para aquela zona. Fosse como fosse eu tinha que lá ir.


Instalei-me numa Guesthouse onde tambem não era a única mas, de modo geral, todos pensavam ir passar a Passagem de Ano a outro lado. Eu já tinha planeado ficar e não fazia questão de grande festa.

Tudo nesta província de Xieng Khouang, desde a decoração das casas por exemplo, faz lembrar a guerra. Foi a região mais severamente atingida na Guerra da Indochina.
Na guesthouse vi o documentário 'Bombies' sobre esta guerra que continua a afectar os habitantes do Laos pois os campos estão cheios de UXO, bombas por explodir. As pessoas que trabalham nos campos ou as crianças são os mais atingidos...



Mas aos anos que eu recolhia artigos sobre a Planície dos Jarros! Desconhece-se a origem destes enigmáticos jarros de granito escavados, alguns com três metros. Na zona há vários sítios arqueológicos, mais de 50, com imensos jarros cada. Seriam urnas? Para armazenamento de líquidos? Não se sabe. Pensa-se que terão uns 2500 anos. Gosto de visitar lugares misteriosos...



Sete desses sítios foram limpos de UXO para poderem ser visitados. No entanto, não é aconselhável sair dos trilhos e é melhor ir com um guia.


A desminagem é lenta pois são mais de 120 tipos diferentes de bombas e estima-se que serão necessários mais de 100 anos para a completa limpeza do país.
Por todo o lado vêem-se crateras cavadas pelas bombas e trincheiras utilizadas na época.
Muitas pessoas refugiaram-se em cavernas durante os longos anos em que os EUA bombardearam a zona. Dois milhões de toneladas de bombas. Mesmo assim mais de 300 pessoas morreram de uma só vez quando um míssil atingiu uma das grutas.
O 'curioso' é que o Laos nem estava directamente envolvido na guerra que ficou conhecida como a Guerra Secreta.


Lendas dizem que os jarros eram usados por uma raça de gigantes que habitava o local. Outros alegam que os jarros foram feitos por um rei para armazenar bebidas alcoólicas feitas de arroz que eram usadas em comemorações.


Tanque russo que era conduzido por um vietnamita.
Visita a uma 'destilaria' em que se produz o whisky de arroz feito por esta senhora, o lao-lao.
Quando a visita com o grupo terminou, o guia, o Vang, transformou-se em motorista e levou-me, de mota, a uma aldeia da tribo Hmong, a que ele próprio pertence. Ele fixou-se há dois anos em Phonsavan com a família e aprendeu o inglês.

Ao contrário da Tailândia, no Laos conduz-se 'à nossa moda', ou seja, à direita.



A água é transportada em baldes.

Aqui o curioso é como as pessoas aproveitam os restos das bombas. Para plantação de cebolas...
Para os pilares das casas, para vedações, para fazer facas...

Mercado Hmong
À noite, na guesthouse, já só estava eu e o Gary, o inglês que vive há quatro anos no Vietnam. Fomos jantar ao restaurante indiano e depois fomos, na moto dele, procurar um bar aberto onde se pudesse brindar ao Novo Ano. Regressámos a meia-noite. Pessoas celebravam nas ruas, havia música e foguetes no ar.



De modo que passei assim o Fim do Ano. A andar de mota.

Sabai-dee, 2010!

2 comentários:

  1. Planície dos jarros também conhecida pelo Planalto de Tran Ninh, segundo a wikipédia.
    Bjs

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  2. Pois essa eu nao sabia.
    Bjinhos. Um Feliz Ano de 2010!

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